Publicado por: . | 28 maio, 2011

Casos do Chico

Em 1922, o país comemorava o centenário da Independência. O governo de Minas instituiu vários prêmios de redação para alunos da quarta série primária. Chico estava prestes a começar o texto quando viu um homem a seu lado ditando o que ele deveria escrever. Perguntou ao companheiro de banco se ele estava vendo algo. O colega negou. Chico pediu licença à professora, Rosária Laranjeira, uma católica fervorosa, aproximou-se do estrado onde ela ficava e lhe contou o que estava acontecendo.

O que o homem está mandando você escrever? Chico repetiu a frase: O Brasil, descoberto por Pedro Álvares Cabral, pode ser comparado ao mais precioso diamante do mundo, que logo passou a ser engastado na coroa portuguesa… Dona Rosária disse que não era nada normal que ele visse pessoas que ninguém via, garantiu que ele deveria estar ouvindo a si mesmo e mandou-o de volta à carteira. Não importava se o texto fosse ditado ou não por algum homem invisível. O importante era concluí-lo.

Algumas semanas depois, a Secretaria de Educação de Minas divulgou os resultados do concurso, disputado por milhares
de estudantes. Chico Xavier, de Pedro Leopoldo, recebeu menção honrosa. A turma ficou dividida, Colegas espalharam o boato de que o garoto tinha copiado o trecho premiado de um livro qualquer. Outros, a minoria, apostaram nos dons, mediúnicos ou literários, do amigo. Os grupos se formaram e alguém, na sala, lançou o desafio. Se o texto dele foi ditado por alguma pessoa do outro mundo, por que esse homem não reaparecia para escrever sobre algum assunto proposto pelos colegas?

No exato momento do desafio, Chico viu a assombração pronta para escrever e comunicou o fato à professora. Ela resistiu à idéia, mas a pressão dos colegas foi mais forte. Enquanto Chico caminhava até o quadro-negro, uma das alunas, Oscarlina Lerroy, propôs o assunto: areia.

- Tenho carregado muita areia para ajudar meu pai numa construção.

As gargalhadas ecoaram na sala. O tema era insignificante, ridículo. Chico pegou o giz. Silêncio absoluto. Palavras inusitadas se arrastaram pelo quadro-negro: “Meus filhos, ninguém escarneça da criação. O grão de areia é quase nada, mas parece uma estrela pequenina refletindo o sol de Deus”. Após o espetáculo, dona Rosária proibiu qualquer comentário na sala de aula sobre pessoas invisíveis.

Trecho do livro “As Vidas de Chico Xavier” de Marcel Souto Maior.


Responses

  1. Excelente o texto,evidenciando que a comunicação espiritual pode se dar em qualquer lugar,não há necessidade que seja somente num ambiente especialmente preparado para isso, não são necessários um grupo de pessoas para amparar o médium, só é indispensável que o médium tenha humildade e amor como nosso querido Chico Xavier e que os protetores espirituais julguem oportuna a comunicação.A menção honrosa que a redação do Chico recebeu merecidamente por sua fidelidade aos princípios da Doutrina Espírita, tenho certeza absoluta que o Chico a entregou ao seu legítimo dono que é o Espiritismo codificado por Allan Kardec, assim como o fez durante toda sua existência com as incontáveis honrarias que recebeu.

  2. O Chico, como sempre, com sua simplicidade e honestidade, disse a verdade à professora, ou seja, que ele havia sido auxiliado a escrever a redação por um homem que estava a seu lado, mesmo que isso o colocasse numa situação difícil, recebendo a incredulidade e o escárnio dos outros.
    Só uma alma boa, pura e simples como o Chico para agir dessa forma.
    Paz e Luz a todos.
    Marina Moreira


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