Publicado por: . | 24 novembro, 2017

Na defesa do verme – Lindos Casos de Chico Xavier

 Um confrade entusiasta elogiava o Chico à queima-roupa, ao fim de movimentada sessão pública, e o Médium desapontado, exclamou: — Não me elogie desta maneira. Isso é desconcertante. Não passo de um verme neste mundo. Emmanuel, junto dele, ouvindo a afirmação, falou-lhe paternal: — O verme é um excelente funcionário da Lei, preparando o êxito da sementeira pelo trabalho constante no solo e funciona, ativo, na transmutação dos detritos da terra, com extrema fidelidade ao papel de humilde e valioso servidor da natureza… Não insulte o verme, pois, comparando-se a ele, porqüanto muito nos cabe ainda aprender para sermos fiéis a Deus, na posição evolutiva que já conseguimos alcançar… O Médium transmitiu aos circunstantes o ensinamento que recebeu, ensinamento esse que tem sido igualmente assunto de interesse em nossas meditações.

Livro: Lindos Casos de Chico Xavier – Ramiro Gama – Lake

 

Durante a construção do livro Chico Diálogos e Recordações, Arnaldo Rocha amigo de Francisco Cândido Xavier, nos contou um fato interessante que vez por outra soltamos em palestras, e agora a circunstancias nos motivaram a descrevê-lo aos nossos amigos internautas.

Dentre passagens referentes aos bastidores espirituais do início da República Brasileira, um dado relatado pelos Espíritos através do médium Xavier foi referente a bandeira nacional.

A proposta inicial constava os dizeres Amor, Ordem e Progresso. Na visão da Espiritualidade, infelizmente os homens não foram maduros e sensíveis, por isso retiraram a palavra Amor da bandeira brasileira . 

Para nossa surpresa fomos visitados com notícia que o estilista alemão, naturalizado brasileiro Hans Donner, responsável pela aberturas de novelas da Rede Globo, desenvolveu um projeto para modificar a bandeira brasileira.

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O projeto começou a ser concebido há mais de dez anos e, desde então, vem ganhando a atenção de Donner. Agora, entretanto, a intenção é começar a trabalhar para que ele seja enviado ao Congresso para ser implementado. Segundo ele. o objetivo é sinalizar uma nova visão de país. Além do uso de tons de verde e amarelo em degradê, o projeto prevê modificação no sentido da faixa branca e a inserção da palavra “amor” antes do lema positivista “Ordem e Progresso”.

“Essa ideia expressa um sentimento mais positivo. O objetivo é começar por aí a resgatar a solidariedade que não pode faltar num símbolo da nação”, disse. Além disso, o sentido da faixa, que hoje forma um arco com pontas direcionadas baixo, seria invertido, indicando para o alto.

A expectativa é conseguir 100 mil assinaturas e, depois, enviar a proposta de mudança ao Congresso Nacional.”

Veja a matéria completa : https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/11/09/bandeira-do-brasil.htm

Fonte Uol Notícias

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Seria incrível ver o fato se concretizar! Sob o ponto de vista espírita, esse projeto revela mais uma comprovação da mediunidade límpida de Francisco Cândido Xavier, e a implementação na Terra dos planos traçados no Mundo Espiritual, apesar da imaturidade e demora dos pobres mortais.

Carlos Alberto Braga Costa

 

Publicado por: . | 12 novembro, 2017

A Glória do Esforço – psicografia de Chico Xavier

Publicado por: . | 6 novembro, 2017

A Mensagem da Compaixão – psicografia de Chico Xavier

Publicado por: . | 2 novembro, 2017

Lamentos do órfão – Poesia do Além Túmulo

Minha mãezinha, alguém me disse,
Que tu te foste, triste sem mim;
Já não me embala tua meiguice,
E não podias partir assim. 

Eu acredito que tenhas ido
Pedir a Deus, que possui a luz,
Que de mim faça, do teu querido,
Um dos seus anjos, outro Jesus.

Mas tanto tempo faz que partiste,
Que me fugiste sem me levar,
Que sofro e choro, saudoso e triste,
Sem esperanças de te encontrar.

Há quantos dias que te procuro,
Que te procuro chamando em vão!…
Tudo é silêncio tristonho e escuro,
Tudo é saudade no coração.

Outros meninos alegres vejo,
Numa alegria terna e louçã,
Que exclamam rindo dentro dum beijo:
“Como eu te adoro, minha mamã!”

Sinto um anseio sublime e santo,
De nos meus braços, mãe, te beijar;
E abraço o espaço, beijo o meu pranto,
Somente a mágoa vem-me afagar.

Inquiro o vento: — “Quando verei
Minha mãezinha boa e querida?”
E o vento triste diz-me: — “Não sei! …
Só noutra vida, só noutra vida!…”

Pergunto à fonte, pergunto à ave,
Quando regressas dos Céus supremos,
E me respondem em voz suave:
“Nós não sabemos! nós não sabemos!…”

Pergunto à flor que engalana a aurora,
Quando é que voltas desse país,
E ela retruca, consoladora:
“Depois da morte serás feliz.”

E digo ao sino na tarde calma:
“Onde está ela, meu doce bem?”
Ele responde, grave, à minhalma:
“Além na luz! Na luz do Além!.. .“

O mar e a noite me crucificam,
Multiplicando meus pobres ais,
Cheios de angústias, ambos replicam:
“Tua mãezinha não volta mais.”

Somente a nuvem, quando eu imploro,
Diz-me que vens e diz que te vê;
E me conforta, do céu, se eu choro:
“Eu vou chamá-la para você.”

Sempre te espero, mas, ai! não voltas,
Nem para dar-me consolação;
Ó mãe querida, que mágoas soltas
Andam cortando meu coração.

Tanta saudade, e, no entretanto,
Vejo-te linda nos sonhos meus;
Ajoelhada, banhada em pranto,
E de mãos postas aos pés de Deus.

Sempre a meus olhos, estás bonita
Qual uma rosa, como um jasmim!
Porém conheço que estás aflita,
Com o pensamento junto de mim.

Então, entrego-me ao meu desejo, 

Tremo de anseio, calo, sorrio,
Sentindo o anélito do teu beijo…
Mas abro os olhos no ar vazio!

Vai-se-me o sonho… Quanta amargura,
Que sinto esparsa pelo caminho!
Que mágoa eterna! que desventura,
Para quem segue triste e sozinho.

Volta depressa! guardo-te flores,
Porque só vivo pensando em ti:
Celebraremos nossos amores,
Junto da fonte que canta e ri.

Já não suporto tantos cansaços!…
Se não voltares, pede a Jesus
Que te conceda pôr-me em teus braços,
Foge comigo para outra luz!…

João de Deus – Psicografia de F. C. Xavier. Parnaso do Além Túmulo

 

João de Deus. NASCIDO em São Bartolomeu de Messines, Portugal, em 1830, e desencarnado em 1896, afirmou-se
um dos maiores líricos da língua portuguesa. É tão bem conhecido no Brasil quanto em seu belo país. Nestas poesias palpita, de modo inconfundível, a suavidade e o ritmo da sua lira.

Dissertações Espíritas

DIA DE TODOS OS SANTOS

I

(Paris, 1o de novembro de 1862 – Médium: Sr. Perchet, Sargento da 40a linha, Caserna do Príncipe Eugênio; membro da Sociedade de Paris)

 

Meu caro irmão, neste dia de comemoração dos mortos, sinto-me feliz por poder conversar contigo. Não podes imaginar quão grande é o prazer que experimento. Chama-me, pois, mais vezes, e ambos lucraremos.

Aqui, nem sempre posso vir a ti, porque, muitas vezes, estou junto às minhas irmãs, especialmente junto à minha afilhada, que quase não deixo, pois pedi a missão de ficar junto a ela. Não obstante, posso com freqüência responder ao teu apelo e será sempre uma alegria poder ajudar-te com meus conselhos.  

Falemos da festa de hoje. Nesta solenidade cheia de recolhimento, que aproxima o mundo visível do invisível, há felicidade e tristeza.

Felicidade, porque une em piedoso sentimento os membros dispersos da família. Neste dia a criança se acerca de seu túmulo e encontra sua terna mãe, a regar a pedra sepulcral com suas lágrimas. O anjinho a abençoa e mistura seus votos aos pensamentos que caem, gota a gota, com as lágrimas da mãe querida. Como são agradáveis ao Senhor estas castas preces,

temperadas na fé e na saudade! Assim, subam aos pés do Eterno, como o suave perfume das flores e, do alto do céu, lance Deus um olhar de misericórdia sobre este pequeno recanto da Terra e envie um de seus Espíritos bons para consolar esta alma sofredora e lhe dizer: “Consolai-vos, boa mãe; vosso filho querido está na mansão dos bem-aventurados; ele vos ama e vos espera.”

Eu disse: dia de felicidade e o repito, porque aqueles que são levados pela religião da saudade a orar aqui pelos que se foram, sabem que não é em vão e que um dia irão rever os seres bem-amados, dos quais se acham momentaneamente separados. Leia Mais…

Publicado por: . | 1 novembro, 2017

O Dia dos Mortos – Allan Kardec

Sessão Anual Comemorativa

do dia dos Mortos

 

(Sociedade de Paris, 1o de novembro de 1868)

 DISCURSO DE ABERTURA PELO SR. ALLAN KARDEC

 O Espiritismo é uma religião?

                                        “Onde quer que se encontrem duas ou três pessoas reunidas em meu nome,                                                                                 aí estarei com elas.” (Mt. 18:20) 

 

 

 

Caros irmãos e irmãs espíritas, Estamos reunidos, neste dia consagrado pelo uso à comemoração dos mortos, para darmos àqueles irmãos nossos que deixaram a Terra um testemunho particular de simpatia, para continuarmos as relações de afeição e de fraternidade que existiam entre eles e nós, quando eram vivos, e para invocarmos sobre eles a bondade do Todo-Poderoso. Mas, por que nos reunirmos? Não podemos fazer em particular o que cada um de nós propõe fazer em comum? Qual a utilidade de assim nos reunirmos num dia determinado?

Jesus no-lo indica pelas palavras que referimos acima. MT 18:20

Esta utilidade está no resultado produzido pela comunhão de pensamentos que se estabelece entre pessoas reunidas com o mesmo objetivo.

Comunhão de pensamentos! Compreendemos bem todo o alcance desta expressão? Seguramente, até este dia, poucas pessoas dela tinham feito uma ideia completa. O Espiritismo, que nos explica tantas coisas pelas leis que revela, ainda vem explicar a causa e a força dessa situação do espírito.

Comunhão de pensamento quer dizer pensamento comum, unidade de intenção, de vontade, de desejo, de aspiração. Leia Mais…

Publicado por: . | 31 outubro, 2017

O fim do mundo – Dissertação Espírita

(Sociedade de Paris, 28 de fevereiro – Médium: Sr. Morin)
Eu passava, quando o eco me trouxe a vibração de uma imensa gargalhada. Prestei atenção e, tendo reconhecido o ruído do
riso dos encarnados e dos desencarnados, me disse: Sem dúvida a coisa é interessante; vamos ver!… E eu não acreditava, senhores, ter o prazer de vir passar a noite junto de vós. Contudo, estou feliz por isto, crede-o bem, porque sei toda a simpatia que conservastes por vosso antigo colega.  
Assim, aproximei-me e os ruídos da Terra me chegaram mais distintos: O fim do mundo! exclamavam; o fim do mundo!…
Oh! meu Deus, me disse eu, se é o fim do mundo, em que se vão tornar?… A voz de vosso presidente e meu amigo, chegando até mim, compreendi que vos lia algumas passagens de uma brochura na qual se anuncia o fim do mundo como muito próximo. O assunto interessou-me; escutei atentamente e, após ter refletido maduramente, venho, como o autor da brochura, dizer-vos: Sim, senhores, o fim do mundo está próximo!… Oh! não vos assusteis, senhoras, porque é preciso estar bem perto para o tocar; e quando o tocardes o vereis.
Esperando, se me permitis, vou dar-vos minha apreciação sobre esta palavra, espantalho dos cérebros fracos e, também, dos Espíritos fracos; porque, sabei-o, se o temor do fim do mundo aterroriza os seres pusilânimes do vosso mundo, fere
igualmente de terror os seres atrasados da erraticidade. Todos os que não estão desmaterializados, isto é, que, embora Espíritos, vivem mais materialmente que espiritualmente, se apavoram à idéia do fim do mundo, porque compreendem, por esta palavra, a destruição da matéria. Não vos admireis, pois, de que essa idéia emocione certos Espíritos, que não saberiam em que se tornar, se a Terra não existisse mais, porquanto a Terra ainda é o seu mundo, o seu ponto de apoio.
Por mim, me disse: Sim, o fim do mundo está próximo; está aí, eu o vejo, o toco… está próximo para os que, mau grado seu,
trabalham para precipitar o seu advento!… Sim, o fim do mundo está próximo; mas, o fim de que mundo?
Será o fim do mundo da superstição, do despotismo, dos abusos mantidos pela ignorância, pela malevolência e pela
hipocrisia; será o fim do mundo egoísta e orgulhoso, do pauperismo, de tudo o que é vil e rebaixa o homem; numa palavra,
de todos os sentimentos baixos e cúpidos, que são o triste apanágio do vosso mundo.
Esse fim do mundo, essa grande catástrofe que todas as religiões concordam em prever, é o que elas entendem? Ao
contrário, não se deve ver a realização dos altos destinos da Humanidade? E se refletirmos em tudo o que se passa em torno de nós, esses sinais precursores não serão o sinal do começo de um outro mundo, isto é, de um outro mundo moral, em vez do da destruição do mundo material?
Sim, senhores, um período de depuração terrestre termina neste momento; um outro vai começar… Tudo concorre
para o fim do velho mundo, e os que se esforçam por sustentá-lo trabalham energicamente, sem o querer, para a sua destruição. Sim, o fim do mundo está próximo para eles; pressentem-no e se apavoram, crede bem, mais que do fim do mundo terrestre, porque é o fim de sua dominação, de sua preponderância, a que se apegam mais do que a qualquer outra coisa; e isto não será, em relação a eles, a vingança de Deus, pois Deus não se vinga, mas a justa recompensa de seus atos.

Como vós, os Espíritos são filhos de suas obras; se são bons, é porque trabalharam para o ser; se são maus, não é porque
tenham trabalhado para o ser, mas porque não trabalharam para se tornarem bons.
Amigos, o fim do mundo está próximo e vos convido vivamente a tomar boa nota desta previsão; ele está tanto mais
próximo quanto já se trabalha para o reconstruir. A sábia previdência dAquele a quem nada escapa, quer que tudo se
construa, antes que tudo seja destruído; e quando o edifício novo for concluído, quando a cumeeira estiver coberta, então é que desabará o antigo; cairá por si mesmo, de sorte que entre o mundo novo e o velho não haverá solução de continuidade.
É assim que se deve entender o fim do mundo, que já pressagiam tantos sinais precursores. E quais serão os poderosos
obreiros para esta grande transformação? Sois vós, senhoras; sois vós senhoritas, com o auxílio da dupla alavanca da instrução e do Espiritismo. Na mulher na qual o Espiritismo penetrou, há mais que uma mulher, há um trabalhador espiritual; nesse estado, tudo trabalhando por ela, a mulher trabalha ainda muito mais que o homem na edificação do monumento, porque, quando ela conhecer todos os recursos do Espiritismo e dele souber servir-se, a maior parte da obra por ela estará feita. Amamentando o corpo de seu filho, também poderá alimentar o seu espírito; e que melhor ferreiro do que o filho de um ferreiro, aprendiz de seu pai? Assim o menino sugará, ao crescer, o leite da espiritualidade, e quando tiverdes espíritas, filhos de espíritas e pais de espíritas, o fim do mundo, tal qual o compreendemos, não estará realizado? Depois
disto, admirai-vos de que o Espiritismo seja um espantalho para tudo o que se prende ao velho mundo, e do encarniçamento com que procuram sufocá-lo em seu berço?

Jobard. Revista Espírita 1868, publicada por Allan Kardec

Publicado por: . | 29 outubro, 2017

Retirando os véus!

“Quer os pensamentos seguintes sejam do Espírito pessoal do Sr. de Porry, quer tenham sido sugeridos por via mediúnica indireta, menor não será o mérito do poeta, porquanto, se a idéia primitiva lhe foi dada, jamais lhe poderão contestar a honra de tê-la elaborado.

Allan Kardec. Revista Espírita 1859

Urânia

Fragmentos de uma poema do Sr. de Porry, de Marselha.

Abri aos gritos meus, ó véus do santuário!

Que esteja em treva o mau, o bom no iluminário!

Agite-se o meu peito à santa claridade

Em cintilante flux, dardejando a verdade! 

Ó pensadores, vós que nas ações coevas

Prometei-nos a luz e só nos dais as trevas,

Que em vossos sonhos vãos, ilusões levianas,

Embalais sem cessar as desgraças humanas,

Em concílios que tanto orgulho vos requer.

Confundidos sereis por voz de uma mulher!

O Deus que vós quereis do Universo banir,

Ou talvez pretendais com risos definir,

E que quereis em vão sondar a Sua essência,

Presente O tendes vós em vossa consciência;

E quem quer que se dando a debates sutis

Tão alto O ousa negar em secreto O condiz!

Tudo, por Seu querer, nasce, vive e se alterna:

É princípio supremo – a própria vida eterna;

Tudo n`Ele repousa: Espírito e matéria;

Se Ele lhe nega o sopro …eis a morte sidérea!

Um dia disse o ateu: “Ah, Deus é uma quimera;

Filha do acaso, a vida é apenas uma espera;

O mundo que o homem fraco ao nascer é lançado

É regido por leis do que é necessitado.

Se a morte nos apaga os sentidos em chama,

Do nada o abismo, então, de novo nos reclama;

Da imutável natura, em seu curso eternal.

Nossos restos recolhe o seio maternal.

Gozemos, pois, então, os seus curtos favores;

Nossas frontes em luz coroam-se de flores;

Só o prazer é Deus: em nossos desatinos

Incitamos furor nos mutáveis destinos!”

Mas logo que a consciência, a interna vingadora,

Insensato! Mostrar-te a culpa embriagadora,

O pobre repelido em gesto desumano,

O crime que manchou as tuas mãos de insano,

Sairá do seio escuro e da matéria cega

E no teu coração surge a luz que renega

Os teus crimes e os põe ao teu olhar ansioso,

Fazendo-te, que horror! de ti mesmo odioso?

Do soberano, então, que a tua audácia ainda

Quer negar, sentirás sua pujança infinda

A oprimir-te e a assediar-te, e embora os teus esforços,

Em revelar-te a ti no grito dos remorsos!…

 

Os homens evitando em sua inquietude

Busca dos matagais a atroz solicitude;

E crês que ao percorrer das sombras os ermos seus

Conseguirás fugir da presença de Deus!

Sobre a presa vencida o tigre dorme em paz;

O homem vigia em sangue e em trevas abismais,

De olhar apavorado em vislumbrante horror;

Treme-lhe o corpo envolto em frígido suor;

Um ruído sinistro invade-lhe os ouvidos;

De fantasmas cruéis rodeiam-lhe bramidos;

Sua terrível voz confessa os erros seus

E clama com terror: Graça, graça, ó meu Deus!

Sim, o remorso, enfim, carrasco da ciência,

Que nos revela em Deus nossa imortal essência;

E muitas vezes faz de um nobre criminoso,

Por arrependimento, um mártir glorioso;

Dos brutos separando a humana criatura,

Eis do remorso a chama em que a alma se depura

E é por seu aguilhão o ser regenerado,

Pela escala do bem se faz mais elevado.

Sim a verdade brilha, e do soberbo ateu

O sentimento audaz refuta o esplendor seu.

O panteísmo vem expor por sua vez

De um argumento vão a insensata aridez:

“Fascinados mortais por um sonho risível

Onde ireis encontrar o Grão-Ser invisível?

Ei-lo diante de vós o eterno Grande-Todo;

Tudo lhe forma a essência e ele resume o todo;

Deus resplende no Sol, verdeia na folhagem,

Ruge pelo vulcão e troa na voragem,

Floresce nos jardins, pelas águas murmura,

Suspirando na voz das aves com ternura,

E dos ares a cor faz diáfanos tecidos;

É ele que nos anima os órgãos entretidos;

É ele que pensa em nós, cada ser mais diverso;

Tudo, pois, é ele mesmo; esse Deus é o Universo.”

O que! Mostrar-se Deus a si mesmo contrário!

É ovelha e lobo, rola e víbora! Tão vário

E se faz, vez por vez, pedra, planta, animal;

Combina-se o seu ser ora ao bem ora ao mal,

Corre todos os graus desde o bruto ao arcanjo!…

Ser ele luz e lama é antítese de arranjo!

Ele é bravo e covarde, é pequeno e gigante,

Imortal e mortal, verídico e farsante!…

É ele ao mesmo tempo a vítima e o agressor,

Que ora rola no crime, ora cultiva o amor;

Lamettrie e Platão, ou Marco-Aurélio e Nero,

E Sócrates, o sábio, e Mélitos; é vero

Que possa ao mesmo tempo o bem e o mal servir!

Ele mesmo se afirma e nega definir!

E contra a própria essência afia o gume eterno,

Se volta ao paraíso e se condena ao inferno,

Invoca o nada; e assim, por cúmulo de injúria

A própria obra maldiz com sua voz em fúria!…

 

Oh! não, mil vezes não, tal dogma monstruoso

Jamais pode nascer num coração virtuoso.

Imerso em seu remorso onde o crime se expia,

O temerário autor da doutrina doentia,

No seio do prazer sentiu-se apavorar

Ante a imagem de um Deus que não pode negar;

E para se eximir – blasfêmia da blasfêmia –

Ele o uniu a este mundo e fez-se-lhe alma gêmea.

Ainda bem que o ateu, premido e atormentado,

Ousando negar Deus, não O faz degredado.

……………………………………………………………

Oh! Deus que a raça humana O busca sem cessar,

Deus, que não conhecendo, O temos que adorar,

Dos seres todos é um só princípio e fim:

Mas para O alcançar, qual o caminho, enfim?

Não é pela Ciência, efêmera miragem

Que nos fascina o olhar com fulgurante imagem,

E que frustrando sempre um incapaz querer,

Desfaz-se sob a mão que O julgava deter!

Sábios, acumulais escombros sobre escombros

E tais sistemas vãos não vão além de assombros!

Esse Deus que ninguém pode ver sem morrer,

Cuja essência contém um terrível poder,

Mas sabe aos filhos seus nutrir de terno amor,

Só o podes compreender lhe igualando em dulçor!

Ah! para a Ele se unir e reencontrá-lo um dia,

A alma deve voar como o Amor o faria.

Atiremos ao vento o orgulho, a vã descrença;

Deus, Ele mesmo aplaina os caminhos da crença;

Seu infinito amor jamais desencontrou

De uma alma que, sincera, ansiosa O procurou,

E que, calcando aos pés, a riqueza e o prazer,

Aspira se integrar em seu supremo Ser.

Porém esse Deus que ama o coração piedoso,

Que baniu de seu seio o déspota orgulhoso,

Que se oculta do sábio e se entrega ao prudente,

Não quer se repartir como o amante inclemente;

E, para O merecer faz-se preciso opor

Às ilusões do mundo um firme desamor.

Felizes filhos seus, que afastados de tudo,

Têm no belo, no bom, no verdadeiro o estudo!

Feliz é o homem justo entregue todo inteiro

Ao tríplice clarão desse foco altaneiro!

Em meio às aflições de um cortejo fecundo,

Num círculo restrito ao nosso pobre mundo,

A um oásis parece a florir num deserto,

E o tesouro da Fé à sua alma está aberto;

E Deus, sem se mostrar, o coração lhe invade,

E a alegria lhe dá de incontida verdade.

Então o homem prudente aceita o seu destino;

E com serena paz acolhe o bem divino;

E quando a noite o envolve em seu véu constelado

Ele dorme tranqüilo e feliz, e embalado,

Num sonhar que inebria o terno coração,

Um celeste antegozo e de suprema unção.

Tua alma que tem sede ardente da verdade

Da Criação quer sondar toda a profundidade?…

 

Como um pintor, primeiro apronta a tua mente

A tela que o pincel irá tornar patente,

Do eterno tudo sai por sua luz natura,

Mas sem se confundir com sua criatura

Que tendo recebido o espírito dos céus,

É livre de falir ou de elevar-se a Deus.

Obra de sua mente ou de sua palavra,

Parte cada criação de seu seio … e lavra,

Num círculo sem fim e de leis imutáveis,

Com destino escolhido e fins realizáveis.

Como artista Deus pensa antes de produzir.

Assim, o que produz poderá destruir;

E, fonte perenal de cada ser diverso,

Dos astros que semeia em luz pelo Universo,

Deus, o infrene Poder, de sua Vida eterna,

A suas criações transmite uma luzerna.

O livro ou quadro então pelo artista criado,

É inerte produção, jaz imobilizado;

Mas o Verbo de luz, vindo do Onipotente

Destaca-se e se faz por si próprio existente;

Sem cessar se transforma e nunca é perecível;

Do metal se projeta o espírito invisível,

O Verbo criador adormece na planta,

Sonha no animal e no homem se levanta;

De degrau em degrau a descer e a subir

Se agrega à Criação em sublime fulgir,

Do éter na ondulação forma imensa cadeia

Que na pedra começa e no arcanjo se alteia.

Obedecendo às leis que regem atos seus,

Cada ser se aproxima ou se afasta de Deus;

Seja o que ao bem se dá ou quem o mal atrai,

Cada ser racional por si se eleva ou cai.

Ora, se o homem habita a atmosfera do mal,

Rebaixa-se ele em crime ao nível do animal;

Em anjo se transforma o homem puro, e esse anjo

De degrau em degrau pode tornar-se arcanjo.

Em seu trono brilhante esse arcanjo assentado,

Seu caráter real estará conservado,

Ou de seu brilho a luz da própria Onipotência

Bem pode assimilar uma perfeita essência.

Mais de um arcanjo, assim, no celeste esplendor

A Deus se reuniu por excesso de amor;

Mas outros, invejando a glória soberana,

No fascínio do orgulho – este pai da ira insana –

Tem querido julgar os decretos de Deus,

E na noite imergir dos escaninhos seus;

Esse Deus cujo olhar em pó se tornaria,

Somente os abrasou com a luz que ele irradia.

Transtornados, depois, pelo Universo errantes

Sempre assaltados são de remorsos hiantes

 

Esses anjos sem norte em audácia funesta,

Não ousam mais do céu mostrar-se numa fresta,

E a vergonha a aguçando o aguilhão mordaz,

Lança seu coração às vascas infernais,

Enquanto o homem de bem, as provas cumpridas,

Se eleva ao paraíso em glórias incontidas.

Todos os mundos, pois, semeados no infinito

Que ferem teu olhar com seu fulgor bendito,

E que rola do espaço a vaga universal,

Há Espíritos também, na escala espacial.

Vários globos que estão quais focos luminosos

São abrigos de luz, celestiais, grandiosos

Onde vagam no espaço, em planos distanciados,

As multidões em luz de Espíritos graduados.

Há mundos de pureza e mundos em deslizes:

Reinam sem objeção sobre os mundos felizes

Três cetros divinais – são honra, amor, justiça,

Da ordem social cimentando a premissa;

E amados sem cessar pelos seus habitantes,

Constituem penhor de venturas constantes.

De outros globos, girando em lôbregas vertigens,

Não aprovados são dos anjos, nas origens,

Esses mundos que, enfim, sofrem sua desgraça,

Pelas suas trocando as leis de Deus sem jaça;

E sobre o solo seu brama horrível tormenta,

Na qual a multidão impura se lamenta.

Nosso globo noviço, em seus passos primeiros,

Até hoje flutua entre esses dois roteiros.

Ultrajando a moral e a própria Natureza,

Quando um mundo do crime excede-se em defesa;

Quando o povo mergulha em prazeres frementes,

Os ouvidos fechando aos profetas videntes;

Que o Verbo divino o mais ligeiro traço

Nesse mundo se apaga enceguecido e baço,

Então do Onipotente a cólera a ferver

Sobre o rebelde cai e o leva a perecer:

Arcanjos da justiça, então de asas possantes,

Batem na ímpia Terra… e os mares ululantes

De sua imensa altura, indo além de seus níveis,

Precipitam no solo os vagalhões terríveis;

Estrondeiam vulcões num ribombar profundo,

Pelo éter dispersando os resíduos do mundo;

E o Soberano Ser, cuja vingança explode,

Destrói o globo atroz que nele crer não pode!

Nossa Terra medíocre é uma estância de prova,

Onde o justo sofrendo, em prantos se renova,

Que a lágrima depura e eleva o coração,

Lhe preparando o mundo para evolução.

Não é portanto em vão que o sono repousante,

Num transporte nos leva a um sonho inebriante,

E num rápido impulso estamos conduzidos

Num novo astro de luz de brilhos refulgidos;

Onde cremos vagar por verdejantes prados

Corridos sem cessar por seres ajuizados;

 

Nós vemos este globo adornado de sóis

Brancos, rubros, azuis como nos arrebóis,

Que, em seus ares, fulgindo os tons mais variados,

Deixam de almos clarões os campos matizados!…

Se manténs neste mundo um coração,

A esses globos irás de aspecto luxuoso

Onde risonha é a paz junto à sabedoria,

Ali só reina o bem em eterna harmonia.

Sim, tua alma percebe as radiosas moradas

Que os favores do Céu fazem embelezadas,

Onde a alma se depura e sobe, pouco a pouco,

Enquanto o mau regride em seu caminho louco.

Mas o reino do mal, em seus anéis fatais,

Desce de giro em giro a abismos infernais.

Espelho que reflete imagens de universos,

Nossa alma pressagia os destinos diversos.

A alma, energia viva, reage os seus sentidos,

Que lhe atendem de pronto aos mínimos pedidos –

Que como chama presa em um vaso de argila,

Com seu forte calor a prisão aniquila –

A alma que ainda retém lembrança do passado

E às vezes sabe ler no futuro afastado,

Não a centelha só desse fogo vital,

Tu sentes mesmo, em ti, que tua alma é imortal.

Nas regiões do espaço e em toda a eternidade,

Guardando a sua estada e sua identidade,

A alma nunca morre, apenas se transporta,

E, de asilo em asilo, ela sempre se exorta.

Nossa alma ao se isolar do mundo exterior,

Poderá conquistar um sentir superior;

E pela embriaguez de um sonho então magnético,

Se armar de outra visão ou de algum dom profético;

Ao libertar-se, pois, dos liames terrenais,

Facilmente percorre os planos celestiais;

E, de um salto veloz, lança-se ao firmamento,

Vê através de tudo e lê o pensamento.

Publicado por: . | 29 outubro, 2017

O Incentivo Santo – psicografia de Chico Xavier

Publicado por: . | 27 outubro, 2017

A fera e as aspas – Tributo a Arnaldo Rocha


    Querido leitor desse desse blog, Jesus conosco. Tenho alegria de publicar o artigo “A fera e as aspas”, 1982,  de Aristides Neto, ou o nosso Ari, amigo de Arnaldo Rocha, residente em Brasília.                                                                                                                            Costumo brincar com Ari afirmando que ele conheceu Naldinho quando este tinha 60 anos, com todo vigor, e eu fiz amizade com um ancião de 80 primaveras de sabedoria.                                                                                                                                          Foram etapas distintas, no entanto, tanto eu como Ari tivemos a honra de ter sido amigos do mesmo Homem, com H maiúsculo. Com seu jeito de mineiro maroto, nos ensinou tanto que relembrá-lo revoluciona nossos sentimentos.                                                      Espero que ao ler esse artigo você tenha o prazer de conhecer mais um pouco do ex-marido de Meimei, amigo de Chico Xavier, e das passagens desses que formam a equipe dos Amigos para Sempre.                                                                                                           Ave, Cristo!                                                                                                                                                                                                              Carlos Alberto Braga Costa

                                                                                                     A fera e as aspas

 (tributo a Arnaldo Rocha) 01/12/1982  

    “Estultice, não se preocupe em desenvolver mediunidade — faça isso com a fraternidade”, dizia ele, abaixando o dedo até então em riste e na altura do nariz. A expressão era séria.  Mais tarde pude perceber que, quando assunto sério, expressão de sobriedade. Para brincar, apelava para o absurdo. E como recorria ao sobrenatural… Cuspindo, abria buraco no asfalto. Bafo de cebola no espelho, tombo para trás na certa!… A expressão facial dele, ao me sugerir roteiros de fraternidade, me causou um impacto leve e bom. Só com o correr do tempo é que fui criando minhocas na cabeça.

Tipo físico? Um metro e sessenta e sete, cabelo e bigode brancos, porte atlético: praticou muita natação quando jovem. Hoje com sessenta anos, anda por dia o que eu ando num mês…

Quando falava, não parava de andar pela sala. Para tudo tinha justificativa: a barriga era porque os clubes de Brasília não abrem bem cedinho — pessoal preguiçoso — e a natação ficou de lado. “Rude e áspero, não — franco e sincero…”, dizia, entre uma e outra penteada de bigode.

Pois é, aí é que vêm as minhocas.  A cada resposta ácida dele eu ia para casa e pensava no contrassenso. E remoía. E passava uma semana, cá comigo, inconformado.

Ele tinha o dom da boa palavra, fluente, fraterna… e estragava tudo no final. Estopim curto.  Sinceridade exacerbada. Acho que nem sempre a gente pode ser sincero.  O pior é que o grupo todo tentava justificar, os mais velhos principalmente. Releve, diziam, deixe de lado os defeitos. Pense só no que ele tem para oferecer de bom. Eu meditava — acho que esse pessoal tem é medo dele… medo daquele vozeirão, do olhar que desperta a consciência, do “jogar verde pra colher maduro”. Medo de levar lambada. Chegou a dizer certa feita a um amigo meu que andava desarticulado que só os animais dormem sem orar…

Agora, medo eu nunca tive. Apesar de tudo ele inspirava segurança, força, tinha um imenso potencial de auxiliar. Era teimoso, sim… como eu. Quando ele falava, falava, falava e perguntava se eu havia entendido, eu respondia impertinente: “ainda não fiz a pergunta!”. Às vezes entendia a pergunta ao contrário. Disse-me uma vez que eu estava borboleteando pela fé. Quando ele entendia erroneamente a dúvida, eu não me contentava enquanto ele não entendesse, mesmo que levasse uma semana. Eu me valia do telefone.

Quando ele me cutucava com vara curta, eu era humilde por fora: por dentro eu espumava. “A mesma mão que acaricia bate”, ele repetia.

Certa vez, cheguei em casa e desabafei como pude. Peguei o primeiro papel que encontrei — era a contracapa do livro que eu tinha à mão — e desci o malho. Botei tudo pra fora. Escrevi, escrevi e terminei assim: ainda bem que, segundo ele, os amigos espirituais lhe puxam a orelha de vez em quando.  Isso significa que não ratificam as manifestações de aspereza… o que é um alívio.

Mais tarde, passei a borracha em tudo. Tudo estava a lápis. Acho que todos os conceitos impregnados de indignação que fiz dele estavam sem caráter definitivo, sem muita consistência. Acho que também estavam a lápis na minha cabeça. Ao mesmo tempo em que o criticava, acho que eu o entronizava. O meio-termo é que seria o ideal, correspondência mais fácil com a expectativa. E a expectativa estava errada, erro comum a que incorremos sempre.

O vinho que tomamos lá em casa, acho que me ajudou a entender que as deficiências dele eram semelhantes às minhas.  Ele também achava tomar vinho uma fraqueza muito gostosa. Prestigiou o peixe ao molho branco como ninguém. Ajudou a tirar a mesa. E deitou-se no chão, mostrando o exercício para a coluna.

Tentou descer até o meu nível? Acho que não. Havia sinceridade. Já nessa época eu havia aprendido a valorizar a imensa capacidade dele em transmitir os ensinamentos cristãos, que se contrapunham aos pequenos deslizes. E toda a teoria que eu acumulara? Também não estava botando em prática. Ele conseguia quase se equiparar às minhas deficiências. Nas suas virtudes, percebi que eu não podia alcançá-lo.

Aí resolvi sufocar meus ímpetos. Quando dei por mim, com toda paciência, eu passava a explicar aos amigos que ocasionalmente levava às nossas reuniões — que às vezes arregalavam os olhos de espanto — que não era possível entendê-lo de supetão. E falava da minha experiência. Eu chegara a um ponto em que um por cento do que ele dizia eu rejeitava. Entrava por um ouvido, saía por outro. Os noventa e nove restantes, eu sorvia, ávido, tentando fixar ao máximo aquilo que de sublime fluía com naturalidade daquela alma nobre, naquela sala singela da Comunhão Espírita de Brasília.

Praticar o amor, o perdão, a caridade, eis a grande verdade. Toda a Doutrina gira em torno desses preceitos. Só que existem as várias maneiras de se falar sobre isso. Cada um com seu repertório, com sua dignidade, com seu acervo de conhecimentos, com a sua didática, com sua maior ou menor beleza interior. Ele era brilhante. Tudo que falou não era novo — a maneira como falou é que calou fundo.

“Trinta e seis anos de Doutrina”, dizia. Uns dezesseis com o Chico. “Santo homem, por aguentar esta besta aqui por tanto tempo”, acrescentava nos momentos de descontração, referindo ao querido médium Chico Xavier. Mas a “besta”, muitas e muitas vezes fez com que lágrimas rolassem durante suas preces, que nos transportava a regiões que não eram deste mundo.

Realmente, podia-se perceber que ele era inflexível às vezes, exigente para com quem dizia ter conhecimento da doutrina. Exigia mais desses. Com os leigos era didático, paciente, terno. Pensando bem, faz sentido, não faz? Muito será pedido a quem muito recebeu…

Com ele percebi que dizer a todo mundo que eu era espírita desde criança (fiz catecismo espírita — assim era chamado à época — e juventude espírita…) era um agravante e não um atenuante. Acho que só agora as aspas do espiritista (aspeado) que vos fala estão diminuindo de tamanho. Pois é, ele gostava de dividir os espíritas em duas classes distintas — os com e os sem aspas.

E assim foi. Dentre os quilômetros que ele percorreu pela sala simples da Comunhão (DF), falando e andando, falando e andando; dentre os quilômetros através da nossa Doutrina, indo, vindo, repassando; em meio aos garranchos que ele fazia no quadro (eu me esforçava, e como, para achar alguma correspondência entre os rabiscos e a ideia que ele queria ilustrar); dentre a ótica severa de abordagem, e ao mesmo tempo realista; em meio a citações tiradas daqueles amarelados livros primeira-edição com a dedicatória do Chico; em meio às nossas conversas ao telefone (eu as preferia, ele ouvia mais, deixava a gente falar); em meio a essas e outras aprendi muita coisa. Modifiquei conceitos. Autoavaliei-me muito.

Aprendi a extrair da fenomenologia espírita, que tanto empolga a tantos, o que há de mais importante nela, e que deveria nortear o  entendimento de todo espírita — do intercâmbio espiritual advém as mais belas lições, de que os espíritos são gente como a gente, com suas dores, suas fixações mentais, com sentimentos, com coisa para dar, com carência afetiva.  Só que muitos deles em processo de padecer o período de adaptação, desarmados, perdidos, sozinhos, assustados, no reencontro com a própria consciência. E ele os recebia com carinho indescritível; com estes não faltava com a paciência. Só pedia: “Carinho, minha gente, é um caso doloroso, pelo amor de Deus, um pai-nosso…”.

Termos muito técnicos, quando se tratava da parte científica da Doutrina Espírita, ele não admitia. “Não se esqueçam de que a sala é heterogênea; e existem mais desencarnados que encarnados; vamos respeitar as deficiências e as dores alheias”, acrescentava. Mas a linguagem dele era quase escorreita, termo que usava com frequência. Ótima fluência verbal. Pulcritude, essa palavra também me reporta a ele.

Para ilustrar influenciação, ele fazia um movimento com a mão esquerda e outro com a direita, ortogonalmente opostos, que eu nunca consegui fazer…

E tudo isso complementa a sua imagem marcante. Só agora me apercebi — falei todo o tempo dele no pretérito, como se tivesse partido…

Realmente partiu. Mas para Belo Horizonte. O mineiro Arnaldo Rocha, do peito pelado, igual ao do Zé Grosso, da voz amplificada, figura inesquecível, retornou às origens.

Deve estar do mesmo jeito — escravo dos seus doces, como todo bom mineiro, derretendo em baixo do chuveiro, sentado na cadeirinha de madeira, ora vejam, curtindo dona Neusa,  Moyra, os netinhos, penteando o bigode prateado, enquanto Meimei (Espírito) cochicha no seu ouvido, construindo e auxiliando sempre, com ternura ou lambadas. Só que as lambadas, eu sei, são daquelas de pai para filho.

Arnaldo Rocha é espírita sem aspas. E “fera”, rodeada de aspas. Por ele sinto saudades e aqui externo a mais profunda gratidão.

Aristides Coelho Neto

Brasília, dez. 1982

 

 

 

 

 

 

Publicado por: . | 27 outubro, 2017

VACINAS DA ALMA – André Luiz

Não permita que o seu modo de falar se transforme em agressão.

Quando alguém nos solicite repetir nomes ou frases, atendamos a isso, pacientemente, sem alterar a própria voz.

Ao falar, evite comentários ou imagens contrárias ao bem, longe de qualquer interesse para quem ouve.

Desprimorar os outros é o mesmo que desprimorar-nos.

Trazer assuntos infelizes à conversação, lamentando ocorrências que já se foram, significa requisitar a poeira ou o lodo de caminhos já superados, complicando paisagens alheias.

Atacar alguém será destruir hoje o nosso provável benfeitor de amanhã.

Diante de ofensas ou injúrias, coloque semelhantes pedras do desequilíbrio na santa sexta do perdão, para que se desfaçam nas fontes do esquecimento.

Abstenha-se de exagerar sintomas ou deficiências com os fracos e com os doentes, porque isso viria a fazê-los mais doentes e mais fracos.

Sem qualquer afetação ou bajulice, na base da esperança e da bondade, não existe ninguém que não possa ajudar conversando.

Observe que do campo mental aos lábios temos um trajeto claramente controlável para as nossas manifestações e, por isso mesmo, tão logo a idéia negativa nos alcance a cabeça, busquemos arredá-la, de vez que um pensamento pode ser substituído, de imediato, no silêncio do espírito, ao passo que a palavra solta é sempre um instrumento ativo em circulação.

Sempre que nos decidirmos a usar esse processo de imunização muitos males e provações serão automaticamente afastados para a sustentação da paz em nós mesmos.

Pelo Espírito André Luiz. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Livro: Busca e Acharás. Lição nº 28. Página 104.

Publicado por: . | 22 outubro, 2017

O Venenoso Antagonista – psicografia de Chico Xavier

Publicado por: . | 20 outubro, 2017

Retirando o Véu de Isis – Humberto de Campos

Carta – Aos que ainda se acham nas sombras do Mundo

Do País da Luz – 23 de Abril de 1935

Antigamente eu escrevia nas sombras para os que se conservavam nas claridades da Vida.
Hoje, escrevo na luz branca da espiritualidade para quantos ainda se acham mergulhados nas sombras do mundo. Quero crer, porém que tão dura tarefa me foi imposta nas mansões da Morte, como esquisita penitência ao meu bom gosto de homem que colheu quando pôde dos frutos saborosos na árvore paradisíaca dos nossos primeiros pais, segundo as Escrituras.
Contudo não desejo imitar aquele velho Tirésias que à força de proferir alvitres e sentenças conquistou dos deuses o dom divinatório em troca dos preciosos dons da vista.
Por esta razão o meu pensamento não se manifesta entre vocês que aqui acorreram para ouvi-lo como o daquelas entidades batedoras, que em Hydesville, na América do Norte, por intermédio das irmãs Fox, viviam nos primórdios do Espiritismo, contando histórias e dando respostas surpreendentes com as suas pancadas ruidosas e alegres.
Devo também esclarecer ao sentimento de curiosidade que os tangeu até aqui, que não estou exercendo ilegalmente a medicina como a grande parte dos defuntos, os quais, hoje em dia, vivem diagnosticando e receitando mezinhas e águas milagrosas para os enfermos.
Tampouco, na minha qualidade de repórter “falecido” sou portador de alguma mensagem sensacional dos paredros comunistas que já se foram dessa vida para a melhor, êmulos dos Lenine, dos Kropotkine, cujos cérebros, a esta hora, devem estar transbordando teorias momentosas para o instante amargo que o mundo está vivendo.
O objetivo das minhas palavras póstumas é somente demonstrar o homem… desencarnado e a imortalidade dos seus atributos. O fato é que vocês não me viram.
Mas contem lá fora eu enxergaram o médium. Não afirmam que ele se parece com o Mahatma Gandhi em virtude de lhe faltar uma tanga, uma cabra e a experiência “anosa” do “líder” nacionalista da Índia. Mas historiem, com sinceridade, o caso das suas roupas remendadas e tristes de proletário e da sua pobreza limpa e honesta que anda por esse mundo arrastando tamancos para a remissão de suas faltas nas anteriores encarnações.
Quanto a mim, digam que eu estava por detrás do véu de Ísis. 
Mesmo assim, na minha condição de intangibilidade, não me furto ao desejo de lhes contar algo a respeito desta “outra vida” para onde todos têm de regressar. Se não estou nos infernos de que fala a teologia dos cristãos, não me acho no sétimo paraíso de Maomé. Não sei contar as minhas aperturas na amarga perspectiva de completo abandono em que me encontrei, logo após abrir os meus olhos no reino extravagante da Morte. Afigurou-se-me que eu ia, diretamente consignado ao Aqueronte, cujas águas amargosas deveria transpor como as sombras para nunca mais voltar, porque não cheguei a presenciar nenhuma luta entre São Gabriel e os Demônios, com as suas balanças trágicas, pela posse de minha alma.
Passados, porém, os primeiros instantes de “inusitado” receio, divisei a figura miúda e simples do meu Tio Antoninho, que me recebeu nos seus braços carinhosos de santo.
Em companhia, pois, de afeições ternas, no reconto fabuloso, que é a minha temporária morada, ainda estou como aparvalhado entre todos os fenômenos da sobrevivência. Ainda não cheguei a encontrar os sóis maravilhosos, as esferas, os mundos comentários, portentos celestes, que descreve Flammarion na sua “Pluralidade dos Mundos”. Para o meu espírito, a Lua ainda prossegue na sua carreira como esfinge eterna do espaço, embuçada no seu burel
de freira morta.
Uma saudade doida e uma ânsia sem termo fazem um turbilhão no meu cérebro: é a vontade de rever, no reino das sombras, o meu pai e a minha irmã. Ainda não pude fazê-lo. Mas em um movimento de maravilhosa retrospecção pude volver à minha infância, na Miritiba longínqua. Revi as suas velhas ruas, semi-arruinadas pelas águas do Piriá e pelas areias implacáveis… Revi os dias que se foram e senti novamente a alma expansiva de meu pai como um galho forte e alegre do tronco robusto dos Veras à minha frente, nos quadros vivos da memória, abracei a minha irmãzinha inesquecida, que era em nossa casa modesta como
um anjo pequenino da Assunção de Murilo, que se tivesse corporificado de uma hora para outra sobre as lamas da terra…
Descansei à sombra das árvores largas e fartas, escutando ainda as violas caboclas, repinicando os sambas da gente das praias nortistas e que tão bem ficaram arquivadas na poesia encantadora e simples de Juvenal Galeno.
Da Miritiba distante transportei-me à Parnaíba, onde vibrei com o meu grande mundo liliputiano… Em espírito, contemplei com a minha mãe as folhas enseivadas do meu cajueiro derramando-se na Terra entre as harmonias do canto choroso das rolas morenas dos recantos distantes de minha terra.
De almas entrelaçadas contemplei o vulto de marfim antigo daquela santa que, como um anjo, espalmou muitas vezes sobre o meu espírito cansado as suas asas brancas. Beijei-lhe as mãos encarquilhadas genuflexo e segurei as contas do seu rosário e as contas miúdas e claras que corriam furtivamente dos seus olhos, acompanhando a sua oração…
Ave Maria… Cheia de graça… Santa Maria… Mãe de Deus…
Ah! de cada vez que o meu olhar se espraia tristemente sobre a superfície do mundo, volvo a minha alma aos firmamentos, tomada de espanto e de assombro… Ainda há pouco, nas minhas surpresas de recém-desencarnado, encontrei na existência dos espaços, onde não se contam as horas, uma figura de velho, um espírito ancião, em cujo coração milenário presumo refugiadas todas as experiências. Longas barbas de neve, olhos transudando piedade infinita doçura, da sua fisionomia de Doutor da Lei, nos tempos apostólicos, irradiava-se uma corrente de profunda simpatia.
– Mestre! – disse-lhe eu na falta de outro nome – que podemos fazer para melhorar a situação do orbe terreno? O espetáculo do mundo me desola e espanta… A família parece se dissolve… o lar está balançando como os frutos podres, na iminência de cair… a Civilização, com os seus numerosos séculos de leis e instituições afigura-se haver tocado os seus apogeus… De um lado existem os que se submergem num gozo aparente e fictício, e do outro estão as multidões famintas, aos milhares, que não têm senão rasgado no peito o sinal da cruz, desenhado por Deus com a suas mãos prestigiosas como os símbolos que Constantino gravara nos seus estandartes… E, sobretudo Mestre, é a perspectiva horrorosa da guerra…
Não há tranqüilidade e a Terra parece mais um fogareiro imenso, cheio de matérias em combustão…
Mas o bondoso espírito-ancião me respondeu com humildade e brandura:
– Meu filho… Esquece o mundo e deixa o homem guerrear em paz!…
Achei graça no seu paradoxo, porém só me resta acrescentar:
– Deixem o mundo em paz com a sua guerra e a sua indiferença!
Não será minha boca quem vá soprar na trombeta de Josafá. Cada um guarde aí a sua crença ou o seu preconceito.

Publicado por: . | 18 outubro, 2017

O amanhã – Mensagem psicografada na FEEAK

Hoje, eu vejo o amanhã!

Eu acredito na luz que ilumina sem abrilhantar.

Eu acredito nos passos que caminham, sem avançar os sinais de alerta.

Eu acredito na simplicidade que não se transforma em submissão dispersiva.

Eu acredito na bondade que não almeja o palco do sobressalto. 

Hoje, eu vejo o amanhã!

Eu acredito na transformação que não logra para si o merecimento desmedido.

Eu acredito na verdade que abre caminhos sem assentar o conhecimento em almofadas de desdém.

Eu acredito nos olhos que veem o que o sentido mostra sem se perder na vaidade que cega.

Eu acredito na ordem e no progresso sem desrespeitar as leis divinas e sem subjulgar os homens infortunados.

Hoje, eu vejo o amanhã!

Eu vejo o caminho de misericórdia a fim de ocupar a mente com propostas de soerguimento e plenitude.

Eu acredito no amor que abranda o coração dos furiosos e suaviza, através da paz e do merecimento, a trilha evolutiva de todos os filhos do Pai.

Escolho permanecer nesse caminho de provas e aprendizados para que a luz dos passos do Senhor alcance a todos os necessitados, agora e sempre!

Louvado seja!

Ave, Ave, Ave!

Mensagem psicografada em Reunião de Intercâmbio e Enfermagem Espiritual – FEEAK Minas 16/10/2017

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