Publicado por: . | 18 setembro, 2009

Célia Lúcius, Santa Marina.

Flávio Mussa Tavares

Em 1940, quando foi publicado o romance “50 Anos Depois”, o leitor espírita brasileiro ficou extasiado diante da surpreendente epopéia vivida por Célia Lucius, além de maravilhado ante a radical mudança no caráter espiritual do antigo senador Publius Lentulus, então na pele do escravo Nestório.

Poucos foram os leitores que notaram a alusão feita pelo autor espiritual de que havia narrativa da tradição católica que poderia confirmar o texto produzido mediunicamente por Chico Xavier.

Estátua de Santa Marina, em Veneza, no jardim do seminário patriarcal, com seu suposto filho à sua direita.

Estátua de Santa Marina, em Veneza, no jardim do seminário patriarcal, com seu suposto filho à sua direita.

Entretanto, contava o plano superior com a natureza pesquisadora e arguta de meu Pai, Clóvis Tavares. Em 1941, pesquisando biografias de santos católicos em livrarias do Rio de Janeiro, especialmente aquelas de livros raros, provenientes de antigas bibliotecas particulares, encontrou um livro que muito lhe causou interesse: “Santa Mariña”. Neste opúsculo, descrevia-se a vida de uma mulher que precisou vestir hábitos de monge e servir num convento, onde foi acusada injustamente da paternidade de uma criança, a qual criou no pátio externo do convento. A sua verdadeira identidade só foi revelada após a sua morte. Imediatamente Clovis identificou que a Santa Mariña era a mesma Célia Lucius, que havia sido canonizada com o nome do Irmão Marinho na forma feminina.

Venerada em Veneza, onde possui igreja, praça e estátua em tamanho natural, Santa Marina era pouco ou nada conhecida no Brasil na década de 30, quando Chico Xavier psicografou o “50 Anos Depois.” Uma das pessoas que me ajudou na aquisição de biografias dessa santa foi uma freira brasileira que mora em Roma e que a muito custo, obteve uma biografia de Santa Marina, da qual, confessou-me, nunca ouvira falar.

Há interessantes adendos ao texto básico de Emmanuel, como o fato de os monges daquela época viverem em vida cenobítica, isto é, em suas celas, além de encapuzados, o que facilitou certamente a ocultação da identidade feminina de Célia.

Outro ponto interessante da leitura das fontes católicas e maronitas sobre Santa Marina é relativo ao aleitamento do bebê, cuja mãe verdadeira era a filha do estalajadeiro. Os textos encontrados nada sabem da primeira parte da vida de Célia, entretanto pode-se inferir que o mais provável é que ela haja amamentado os dois bebês. O primeiro viveu ao seu lado cerca de um ano. O segundo, nas cercanias do Mosteiro, onde ela formou o seu Horto e viveu cerca de 4 anos em casebre insalubre. Viveu ela com o pequeno em casa lúgubre e úmida, o que certamente comprometeu a saúde de ambos.

Os locais e as datas são também um pouco contraditórios, embora Emmanuel a isso considere que “o dedo viciado dos narradores humanos” possa mudar com o passar do tempo. Ademais, a história do Irmão Marinho converteu-se em um mito. A história da santa que era um monge foi de tal forma divulgada pela Europa, Ásia Menor e África, que os escritos que se tem sobre a Santa Marina, têm origem no catalão, francês, italiano, inglês, árabe, siríaco e copta.

A maioria das versões considera que Santa Marina viveu num Convento do Líbano, chamado Qannoubin, no Vale Qadisha.

Consideramos que estas diversidades de dados quanto às datas e locais, embora previstos pelo autor espiritual, tornam-se irrelevantes diante da beleza da confirmação historiográfica da existência de Célia Lucius.

Chico Xavier obteve através de uma super-sensitividade, uma história riquíssima de dados, muitos deles que podem ser confirmados por fontes históricas, as quais encontram-se disponíveis apenas em bibliotecas católicas e maronitas de Roma, Veneza e no Líbano.

Este é o fato notável. Chico adentrou no túnel do tempo e captou toda uma complexa rede de acontecimentos de uma forma completa e contundente. Os relatos do “50 Anos Depois” são uma fonte inesgotável de estudos e pesquisas históricas, filosóficas, morais e doutrinárias, conduzindo o leitor à reflexão e a uma mudança de atitude de vida.

E o último aspecto é o de que a leitura do “50 Anos Depois” envolve o leitor em uma bênção de Célia Lucius, conforme promete Emmanuel em seu prefácio. Isso torna este livro comparável ao Apocalipse de João Evangelista.

Convido a todos que amam a história de Nestório, Ciro, Néio Lucius e Célia Lucius que leiam o livro “Célia Lucius, Santa Marina” para entender a grandeza desta alma, bem como para reverenciar o ser humano Chico Xavier que, humilhado e pobre, foi o espírito nobre que canalizou parte das belezas.

(Publicado na edição de julho/agosto 2008 do Jornal o Espírita Mineiro)


Responses

  1. .

  2. meu nome é marina

    • Sempre que relembro essa grande historia de Célia Lucius ditada por Emmanuel, vejo que fica mais evidente que o impossível não existe, nós é que dificultamos tudo, a Divindade com a sua bondade suprema, facilita tudo para nós, infelizmente nosso campo mental é que muitas vezes não consegue interpretar toda essa maravilha do campo espiritual que nos auxiliam para que possamos evoluir para vivermos um mundo cada vez melhor, Obrigado.

  3. Belíssimo livro. Estou relendo pela quinta vez nesses meus 44 anos de vida.

    • Sempre que penso em Celia Lucinia, meu coração se “lembra” de que sempre a esperança nos assegura a superação de grandes disficuldades…

  4. Realmente Célia Lucius era um ser especial, de rara beleza, que nos deixou, ao lermos o relato de sua história neste livro 50 anos depois, exemplos maravilhosos. Apesar de todos os sofrimentos por que passou na sua curta vida, ela teve, na hora da morte, a grande dádiva de ir direto para o céu. Ela foi um anjo aqui na terra, e continuou a sê-lo no céu, onde era realmente o seu lugar.

  5. Não ha obstáculos para que crêm no pai.

  6. Achei muito interessante o livro “CÉLIA LUCIUS, SANTA MARINA” e logo vou comprar um exemplar. No entanto isto despertou o meu interesse em saber que foi Alcíone na vida real e procurei pela irmã carmelita “Mary Of Jesus Crucified” e, surpreendido, encontrei uma história de elevação espiritual que em alguns pontos tem semelhança com a de Alcíone (veja o link: http://en.wikipedia.org/wiki/Mariam_Baouardy ). Gostaria de saber a opinião dos irmãos espíritas a respeito.

    Obrigado,
    Carlos

  7. Confrades, esta é a segunda vez q leio o livro e tive nessa ocasião a mesma dúvida que na primeira: como pode uma mãe acreditar q a filha q vive na mesma casa esteve realmente grávida (barriga grande e tudo) sem que ninguém tivesse percebido, inclusive ela, a mãe, que conhecia muito bem a filha? Estaria a explicação nas roupas da época que tampariam as formas corporais? Se sim, mknhas dúvida aumentaria, pois em outra ocasião um personagem da história relatava que Alba Lucínia estava magra, ou seja, percebia-se a silueta de uma pessoa.

    PS: não questiono a autenticidade da história e muito menos seu valor moral. Este é um dos ,elhores livros da minha vida. Só queria entender este ponto. Se alguém puder aclarar…

    Obrigado, Flavio, pelo artigo. Sensacional!

  8. Confrades, esta é a segunda vez q leio o livro e tive nessa ocasião a mesma dúvida que na primeira: como pode uma mãe acreditar q a filha q vive na mesma casa esteve realmente grávida (barriga grande e tudo) sem que ninguém tivesse percebido, inclusive ela, a mãe, que conhecia muito bem a filha? Estaria a explicação nas roupas da época que tampariam as formas corporais? Se sim, mknhas dúvida aumentaria, pois em outra ocasião um personagem da história relatava que Alba Lucínia estava magra, ou seja, percebia-se a silueta de uma pessoa.

    PS: não questiono a autenticidade da história e muito menos seu valor moral. Este é um dos ,elhores livros da minha vida. Só queria entender este ponto. Se alguém puder aclarar…

    Obrigado, Flavio, pelo artigo. Sensacional.

  9. Maravilhado com a bela história de Célia Lucius, resgatada pelo honrado amigo Chico Xavier.

  10. Depois de morta descobriram que era uma mulher. Ela hoje é santa canonizada.
    Site católico conta a história dela. Não a primeira parte porque nunca souberam.

    http://www.arquisp.org.br/liturgia/santo-do-dia/santa-marina


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