Publicado por: . | 2 julho, 2013

Carta de Chico Xavier para o Jô.

            Querido Jô

            Jesus nos abençoe.

            Recebi sua carta querida de 6, junho às encomendas de nossa Iza e, de coração enternecido, reúno vocês dois em meu abraço do coração. 

            Louvado seja Deus que nos concedeu  um amor assim tão grande para vivermos juntos pelos laços sublimes da alma.

            Comecei a ler a sua mensagem abençoada e do “Curto Diário de Uma Saudade” até a última página de “A Viagem de Tissay”, senti essa alegria cariciosa e boa que conversa a sós com a gente, entre risos e lágrimas… Palavras para dizer a você a emoção que você me deu? Desisto de buscá-las. As palavras do mundo são assim como tijolos de construção humana. Podemos dar-lhes forma e beleza ao empilhá-los ou acomodá-los uns com os outros, mas não conseguimos transmitir-lhe o calor que sai do coração. Por isso, meu filho, tanto quanto um coração pode abençoar um outro coração, repito ao seu generoso espírito: “Filho de minhalma, Deus abençoe você, em todos os seus passos”.

            Como é belo tudo o que você me diz! Sim, as palavras de Nuel (Emmanuel), escritas pelas mãos de Clie ( Chico Xavier), são as mesmas, ontem, hoje, sempre… É preciso trabalhar, sofrer pelo bem. Desculpar sempre qualquer espinho que nos venha a ferir e continuar servindo à felicidade de todos… Apagar o fogo das discórdias, estender o amparo aos que necessitem, ajudar, socorrer….

            Sim, amado Silvano, é como se as inesquecíveis palavras de Nuel (Emmanuel) também me percutissem os ouvidos constantemente: “- O maior privilégio dos discípulos de Jesus é sempre aquele de ajudar sem retribuição e de agir desinteressadamente em Seu Nome…”

            Prossigamos,  pois, para a frente…

            Nenhuma felicidade surgirá maior para mim que a de saber que você continua firme e leal aos ensinamentos redentores que recebemos juntos. Louvado seja o Senhor!

            O castelo em que você ouviu Nuel (Emmanuel) pela primeira vez, pelas mãos de Clie, está igualmente em minha lembrança! Que céus estrelados, querido Silvano, e que flores desabrocham ali! Que cânticos cristalinos de aves e almas ali se entrelaçam às harmonias da natureza, entretanto, o Senhor mandou que o meu barco fosse desamarrado pelas circunstâncias e tive de viajar também no rumo de outras terras… (Referencia de Chico Xavier a sua mudança para Uberaba). Aquele rio que você fixou tão bem, na tela em que aparecem os solares coroados de sol, na paisagem verde e florida, estava igualmente à minha espera, sem que eu soubesse ao tempo em que nos vimos pela primeira vez, nesta existência… Não perguntei ao Senhor porque motivo me mandava partir, mas creio que Ele queria que eu segurasse o microfone ou o papel a fim de que Nuel (Emmanuel), que tanto O ama, dele falasse à outras assembléias. Desde então, compreendi que Nuel (Emmanuel) se propunha servi-lO em outros lugares… Passei a ver outros solos, outras regiões … Vi glebas secas, florestas, espinheirais… Chorei ao ver as árvores lascadas e os ninhos arrasados, tantos vi… Notei cipoais asfixiando plantações generosas, calhaus enormes impedindo o curso e fontes abençoadas… Nuel (Emmanuel) atento ao trabalho, me chamava ao dever… Era preciso trabalhar, trabalhar… Trouxe-me, bondoso, companheiros dedicados e maravilhosos de carinho e confiança que aspiravam a ler as instruções de serviço em minha conduta e em meus gestos e as sementeiras de Nuel continuaram… Às vezes, ao segurar o microfone ou o papel para ele, o nosso valoroso e infatigável semeador, se encontro um espelho à frente, observo como o tempo me assinalou! As rugas do rosto me lembram as horas de apreensões, quando os serviços de Nuel (Emmanuel) surgem ameaçados e a calvície adiantada me faz sorrir pensando que muitos dos meus cabelos me abandonaram, cansados da tensão mental que lhes afogueava as raízes… Mas, por dentro, amado Silvano, a visão da vida é de esperança e de profunda alegria… A mensagem é a mesma… Amar, sim… trabalhar sempre… Sofrer pelo bem e sofrer pela verdade…

            É uma felicidade poder abrir o coração para o seu e falar assim, com a intimidade desta carta…E assim faço, não só tentando responder, de algum modo, à sua missiva querida na pauta da ternura em que você a grafou, mas também, para dizer ao seu carinho que desejo ver você sempre o mesmo, sempre o irmão abnegado de todos, servindo, auxiliando, compreendendo, ajudando… E como o 62 (ano) está no termo, aproveito a ocasião para rogar a você, me perdoe se algum gesto meu, nas tarefas deste ano, chegou a ferir-lhe o coração. Que aspiro a ver sempre valoroso e sempre feliz… O natal está próximo… Nós que tanto amamos e reverenciamos, com respeitoso carinho, a Data do Senhor, ante o Natal, estamos mais que nunca sob a aura amorosa de Nuel (Emmanuel), de nossa Castelã, de nossa Princesinha do Céu. Em nome deles, nossos amados instrutores, peco a você um presente… O presente de sua alegria. Diga-me que você ama a Deus e a vida e que está feliz. Se alguma atitude assumida por mim machucou você, na sua grandeza de coração, perdoe-me aquelas setenta vezes sete e continuemos fiéis o nosso trabalho com Jesus.

            Um dia, quando você respondia pelo nome de Silvano, embora pequenino você soube, como sempre, honrar o nome dele, o Senhor…

            Silvano, em testemunho de fé viva, deixou o corpo ferido numa estrada, conchegando-se ao coração paterno que o amava… Não será justo que eu também aceite as circunstâncias, quaisquer que elas sejam, para ser leal a Nuel (Emmanuel), nas estradas do mundo? Se minha voz de criatura talvez fatigada pelo tempo do corpo físico, algo falar desajeitadamente para defender a verdade, no serviço de Nuel (Emmanuel), perdoe-me os modos, os envoltórios, as impropriedades e deficientes expressões… Às vezes, filho do meu coração,é preciso também sofrer pelas realizações, deslocando o pensamento do nosso círculo mais íntimo para abranger o conjunto… Nessas horas dolorosas, grande é a luta, mas é preciso ser fiel, fiel às realidades que estão dentro de nós e que se ligam a todos os filhos de Deus e tutelados do Senhor… Isso, porém, amado Silvano, não impede a obra constante do amor puro que salva, regenera, levanta e ampara sempre…

            Desculpe-me, ainda, se me refiro ao trabalho de verdade… É só para dizer a você que eu, que me sinto na condição de sua mãe pelo coração, mãe espiritual que tem a idade de quem o viu renascer, não mudou… É só para afirmar-lhe que desejo você tão fiel a Jesus hoje, quanto ontem, e tanto quanto será você fiel a Ele, amanhã… E se alguém disser a você que me transformei ou que pessoas e circunstâncias me teriam transformado, não acredite. Pense, no silêncio, que sua mãe tão pobre e tão devedora, vive carregada de obrigações, que ela deve trabalhar sem repouso, para que a obra de Nuel (Emmanuel), não esmoreça… Se alguém pronunciar palavras ofensivas ou aparentemente ofensivas em torno dela, por incapacidade de compreender-lhe a extensão dos compromissos e lutas, não a defenda. Ore. Oremos todos uns pelos outros. Deus sabe, filho meu, quantas dificuldades foi ela obrigada a atravessar, desde a infância, para que o trabalho de Nuel (Emmanuel), não parasse e nem fenecesse. Não gaste o tesouro de suas horas em defesa de quem maternalmente o ama tanto. Por muito que eu trabalhasse, e realmente nada tenho feito de mim, não estaria de minha parte, senão cumprido um dever… Lembre-se de que sua mãe pelo coração está igualmente na viagem do mundo, carregando imperfeições, impedimentos, inibições… Se não pode estar frequentemente com os filhos amados é que ela deve, antes de tudo, ligar-se às disciplinas que o Senhor lhe traçou por Nuel (Emmanuel)… Tantos filhos queridos tenho eu! Mas o Senhor quer que nos voltemos, agora, por algum tempo, para os filhos do Calvário que Ele nos legou… Não somente os órfãos de carinho e de pão, os deserdados do lar e os tristes do mundo, mas também os desesperados, os que perderam o apoio da crença, os que acumulam problemas e aflições sobre as próprias cabeças e os que, um dia, Lhe cercaram a cruz com riso nos lábios e a noite no coração… É preciso amar a todos eles, estender-lhes os braços e o sentimento.

            Não creia, também, amado Silvano, que alguém me obrigue às disciplinas necessárias. Nuel (Emmanuel) as propõe e eu as aceito. Estou, meu filho, embora com tanta madureza e velhice físicas, na posição de uma criança na escola ou de um animal em serviço. Sem as disciplinas, não conseguirei fazer o que devo fazer…

            Receba, meu filho, todas as considerações desta carta, por entendimento nosso, diante do Natal… Amemos e trabalhemos. (…)

                                                                                                          Chico

Amor e Renúncia  – Traços de Joaquim Alves – Silvano.

 

                


Responses

  1. sublime sabedoria, JESUS esteja connosco

  2. Linda e emocionante carta!!!Derrama amor ao próximo, trabalho e muita humildade!!!
    Obrigada por mais essa ajuda ao nosso aprendizado.
    Abraços,
    Carla Fabres

  3. A revelação de que Joaquim Alves foi Silvano foi do Chico para ele próprio?

    • Confirmamos. Foi Chico quem revelou. sds

  4. Não há como mensurar este testemunho. Gratidão.

  5. Carta amorosa e envolvente, que nos revela toda a nobreza e o amor de Chico, deixando paz e serenidade. Obrigado Chico!


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