Publicado por: . | 20 agosto, 2013

Artigo sobre o Livro Chico, Diálogos….

Chico, Diálogos e Recordações 

Maria Aparecida Vidigal

O livro, aqui apresentado, foi constituído a partir do recolhimento das memórias transmutadas em narrativas de Arnaldo Rocha, sobre as experiências que este viveu com Francisco Cândido Xavier, em Pedro Leopoldo e região.

Chico, Diálogos e Recordações… é uma obra leve e ao mesmo tempo impregnada de lições acerca de experiências vividas e lições apreendidas por seres que se uniram pelos laços espirituais no orbe terreno.O estilo de escrita é um híbrido de diálogos, narrativas e impressões daqueles que, durante quatro longos anos, encontravam-se para conversar sobre o médium Chico Xavier. De um lado, um jovem e dedicado obreiro da Seara Espírita, Carlos Alberto Braga Costa; do outro lado, a experiência evidenciada pelas cãs de um altivo senhor, trabalhador incansável da Doutrina Revelada por Jesus e Codificada por Allan Kardec, Arnaldo Rocha.A obra escrita em 21 capítulos traz à comunidade espírita momentos de reflexão e de aprendizado. Particularmente, sob este prisma, o livro é dadivoso em lições, pois nos aproxima e nos cientifica de que a evolução dos seres humanos nas lides terrenas é possível e inevitável, conforme asseverou Allan Kardec: “A Humanidade progride, por meio dos indivíduos que pouco a pouco se melhoram e instruem. (…) O progresso dos povos também realça a justiça da reencarnação.”O Espírito Chico Xavier, por exemplo, não só “desceu” de esferas superiores para trazer belas obras sobre as Revelações do Consolador; também, vivenciou através de milênios, experienciou vidas diversas de amores incontroláveis, sofrimentos, angústias e momentos de profundo encarceramento físico e espiritual, até, finalmente, poder apresentar-se nesta encarnação como um dos mais profícuos escritores da Doutrina dos Espíritos, sempre amparado por seus amigos espirituais e companheiros da lide terrena.Existe um provérbio chinês que diz: “A pedra não pode ser polida sem fricção, nem o homem ser aperfeiçoado sem provação”. Em Chico, Diálogos e Recordações.., a vida do narrador, assim como a de tantos outros amigos para sempre, é prova de que para atingirmos o aperfeiçoamento e a beleza do esplendor de uma pedra preciosa, precisamos, antes, percorrer um caminho de provações, dores e burilamento de nossas tendências. Este caminho que, a priori, apresenta-se difícil é suavizado pelo exemplo de vida de Jesus, pelos ensinamentos da Revelação Espírita e por nosso esforço individual de melhorarmos a cada dia um pouco mais. Arnaldo Rocha, nosso querido narrador, através de seu percurso de descrença, grandes batalhas, empreendimentos faraônicos e decepções nas mesmas proporções, chega, nesta encarnação, ainda materialista, até encontrar e perder o coração querido de Meimei, e, em seguida, reencontrar outro: Chico Xavier. A lição mais marcante deste espírito Rocha – os nomes não são ao acaso – não é observá-lo hoje, na beleza de seus 82 anos, na firmeza de suas convicções doutrinárias e na fidelidade para com seus amigos, muitos já no plano espiritual. A grandeza desse homem reside no caminho por ele percorrido ao longo das sucessivas vivências carnais, nos obstáculos superados e nas dores transmutadas em benções de aprendizado. Esse percurso narrado no livro nos remete à promessa de Jesus, quando nos diz que “nenhuma das ovelhas que o Pai me confiou se perderá.”Vale destacar, ainda sobre esta bela obra, a importância da memória, como receptáculo das lembranças de Arnaldo Rocha. A memória, conforme nos elucida André Luiz “(…) é um disco vivo e milagroso. Fotografa as imagens de nossas ações e recolhe o som de quanto falamos e ouvimos… Por intermédio dela, somos condenados ou absolvidos de nós mesmos.” O redator dessas memórias, Carlos Alberto Braga Costa, com disciplina, responsabilidade, lealdade e fé fez-se instrumento indispensável para que hoje esta obra traduzida em diálogos e recordações estivesse ao alcance de todos nós.Em tempos remotos os homens transmitiam o conhecimento às gerações, através dos recursos da memória e da narrativa oral. Os sábios anciãos, acomodados em locais tranqüilos, relatavam aos jovens escolhidos as tradições e experiências de seu povo. E estas experiências, posteriormente lapidadas, eram transferidas por sucessivas gerações do porvir. Desse modo, verificamos a importância da memória para a evolução das primeiras civilizações do Planeta.Chico, Diálogos e Recordações…, guardadas as proporções espaciais e temporais, remete-nos aos tempos antigos, em que as revelações eram registradas nas almas dos aprendizes, que, posteriormente, transformavam-nas em conhecimento para que outros seres pudessem deles utilizar-se. Na Doutrina dos Espíritos, quando refletimos sobre o processo da evolução, como uma Lei Divina de progresso contínuo e ordenado, não podemos ter dúvidas de que as constantes encarnações são bênçãos sagradas que propiciam o aperfeiçoamento dos seres. Assim, o jovem recebe do ancião o conhecimento das tradições de seu povo, pelo registro da memória. Cada vez que vivenciamos uma nova oportunidade reencarnatória dinamizamos impressões guardadas em nossa consciência espiritual. Nesse sentido, através da obra narrada por Arnaldo Rocha e escrita por Carlos Alberto Braga Costa, somos convidados à leitura de experiências de vida, sem sensacionalismos, mas repletas de sabedoria. O livro, apesar de apresentar-se numa seqüência de 21 capítulos, pode ser lido conforme o leitor desejar, pois cada uma de suas partes está impregnada de amor à Doutrina dos Espíritos e fidelidade aos ideais cristãos deixados ao longo da história por Grandes Amigos Espirituais.


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