Publicado por: . | 14 março, 2017

A LIÇÃO DOS CHUCHUS… – Lindos Casos de Chico Xavier

Dona Maria, que era viúva do Raimundo, irmão do Chico, julgava que
este era um mão aberta. 
Não era muito crente do dar sem receber. E, certa manhã, em que,
sobremodo, sentia a missão do Médium, que muito estimava, disse-lhe:
— Chico, não acredito muito nas suas teorias de servir, de ajudar, de dar e
dar sempre, sem uma recompensa. Não vejo nada que você recebe em troca
do que faz, do que dá, do que realiza.
— Mas, tudo quanto fazemos com sinceridade e amor no coração, Deus
abençoa. E, sempre que distribuímos, que damos com a direita sem a
esquerda ver, fazemos uma boa ação e, mais cedo ou mais tarde,
receberemos a resposta do Pai. Pode crer que quem faz o bem, além de viver
no bem, colhe o bem.
— Então, vamos experimentar. Tenho aqui dois chuchus. Se alguém aqui
aparecer, vou lhos dar e quero ver se, depois, recebo outros dois.
Ainda bem não acabara de falar, quando a vizinha do lado esquerdo, pelo
muro, chama:
— Dona Maria, pode me dar ou emprestar uns dois chuchus?
— Pois não, minha amiga, aqui os tem, faça deles um bom guisado.
Daí a instante, sem que pudesse refazer-se da surpresa que tivera, a
vizinha do lado direito, também pelo muro, ofereceu quatro chuchus a D. Maria.
Meia hora depois, a vizinha dos fundos pede a D. Maria uns chuchus e
esta a presenteia com os quatro que ganhara.
A vizinha da frente, quase em seguida, sem que soubesse o que
acontecia, oferece à cunhada do nosso querido Médium, oito chuchus.
Por fim, já sentindo a lição e agindo seriamente, D. Maria évisitada por
uma amiga de poucos recursos econômicos.
Demora-se um pouco, o tempo bastante para desabafar sua pobreza.
À saída, recebe, com outros mantimentos, os oito chuchus…
E dona Maria diz para o Chico:
— Agora quero ver se ganho dezesseis chuchus, era só o que faltava para
completar essa brincadeira…
Já era tarde.
Estava na hora de regressar ao serviço e Chico partiu, tendo antes enviado
à prezada irmã um sorriso amigo e confiante, como a dizer-lhe: — “Espere e
verá”.
Aí pelas dezoito horas, regressou o Chico à casa.
Nada havia sucedido com relação aos chuchus..
Dona Maria olhava para o Chico com ar de quem queria dizer:
“Ganhei ou não?. .
Às vinte horas, todos na sala, juntamente com o Chico, conversam e nem
se lembram mais do caso dos chuchus, quando alguém bate à porta.
Dona Maria atende.
Era um senhor idoso, residente na roça.
Trazia no seu burrinho uns pequenos presentes para Dona Maria, em
retribuição às refeições que sempre lhe dá, quando vem à cidade.
Colocou à porta um pequeno saco.
Dona Maria abre-o nervosa e curiosamente.
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Estava repleto de chuchus.
Contou-os: sessenta e quatro: Oito vezes mais do que havia, ultimamente,
dado…
Era demais.
A graça, em forma de lição, excedia à expectativa, era mais do que
esperava.
E, daí por diante, Dona Maria compreendeu que aquele que dá recebe
sempre mais.
Lindos Casos de Chico Xavier – Ramiro Gama


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