Publicado por: . | 22 agosto, 2017

Chico Xavier poderia ter desistido da sua missão?

(…) diálogo entre Áulus e Hilário…

Depois da Divina palestra, sobre o Mandato Cristão, vamos nos deparar com um grupo de médiuns dialogando com um Venerando representante daquele conclave de luz. 

Assinalando a necessidade de perfeita comunhão entre o mentores e os médiuns, um dos aprendizes formulou uma pergunta:

Para uma proveitosa interação entre o mentor espiritual e o médium, será necessário um programa bem elaborado?

– Ah! Sim, semelhantes serviços não se efetuam sem programa. O acaso é uma palavra inventada pelos homens para disfarçar o menor esforço. Gabriel (Emmanuel) e Ambrosina (Chico Xavier) planejaram a experiência atual, muito antes que ela se envolvesse nos densos fluidos da vida física. (ver livro Chico, Diálogos e Recordações. O Clarim)

– E por que dizer – continuei, lembrando ao Assistente as suas próprias palavras – “quando o médium se destaca no serviço do bem recebe apoio de um amigo espiritual”, se esse amigo espiritual e o médium já se encontram irmanados um ao outro, desde muito tempo?

O instrutor fitou-me de frente e falou:

– Em qualquer cometimento, não seria lícito desvalorizar a liberdade de ação. Ambrosina (Chico Xavier) comprometeu-se; isso, porém, não a impediria de cancelar o contrato de serviço, não obstante reconhecer-lhe a excelência e a magnitude. Poderia desejar imprimir novo rumo ao seu idealismo de mulher, embora adiando realizações sem as quais não se erguerá livremente do mundo. Os orientadores da Espiritualidade procuram companheiros, não escravos. O médium digno da missão do auxílio não é um animal subjugado à canga, mas sim um irmão da Humanidade e um aspirante à Sabedoria. Deve trabalhar e estudar por amor… É por isso que muitos começam a jornada e recuam. Livres para decidir quanto ao próprio destino, muitas vezes preferem estagiar com indesejáveis companhias, caindo em temíveis fascinações. Iniciam-se com entusiasmo na obra do bem, entretanto, em muitas circunstâncias dão ouvidos a elementos corruptores que os visitam pelas brechas da invigilância. E, assim, tropeçam e se estiram na cupidez, na preguiça, no personalismo destruidor ou na sexualidade delinqüente, transformando-se em joguetes dos adversários da luz, que lhes vampirizam as forças, aniquilando-lhes as melhores possibilidades. Isso é a da experiência de todos os tempos e de todos os dias…

– Sim, sim… – concordei – mas não seria possível aos mentores espirituais a movimentação de medidas capazes de pôr cobro aos abusos, quando os abusos aparecem?

Meu interlocutor sorriu e obtemperou:

– Cada consciência marcha por sim, apesar de serem numerosos os mestres do caminho. Devemos a nós mesmos a derrota ou a vitória. Almas e coletividades adquirem as experiências com que se redimem ou se elevam, ao preço do próprio esforço. O homem constrói, destrói e reconstrói destinos, como a Humanidade faz e desfaz civilizações, buscando a melhor direção para responder aos chamamentos de Deus. É por isso que pesadas tribulações vagueiam no mundo, tais como a enfermidade e a aflição, a guerra e a decadência, despertando as almas para o discernimento justo. Cada qual vive no quadro das próprias conquistas ou dos próprios débitos. Assim considerando, vemos no Planeta milhões de criaturas sob as teias da mediunidade torturante, milhares detendo possibilidades psíquicas apreciáveis, muitas tentando o desenvolvimento dos recursos dessa natureza e raras obtendo um mandato mediúnico para o trabalho da fraternidade e da luz. E, segundo reconhecemos, a mediunidade sublimada é serviço que devemos edificar, ainda que essa gloriosa aquisição nos custe muitos séculos.

– Mas, ainda num mandato mediúnico, o tarefeiro da condição de Dona Ambrosina (Chico Xavier) pode cair?

– Como não? – acentuou o interlecutor – um mandato é uma delegação de poder obtida pelo crédito moral, sem ser um atestado de santificação. Com maiores ou menores responsabilidades, é imprescindível não esquecer nossas obrigações perante a Lei Divina, a fim de consolidar nossos títulos de merecimento na vida eterna.

E, com significativo tom de voz, acrescentou:

– recordemos a palavra do Senhor: “muito se pedirá de quem muito recebeu”.

A conversação, à margem do serviço, oferecera-me suficiente material de meditação.

As valiosas anotações do Assistente, em se reportando à mediunidade, impeliam-me a silenciar e refletir.

E de nossa parte concluímos: “ainda bem que Chico Xavier não desistiu.”

Ave, Cristo!

Nota:

1.Esse informação que o personagem Gabriel é na realidade o Benfeitor Emmanuel, e Ambrosina ter sido Chico Xavier, foi confirmada pelo Médium Francisco Cândido Xavier ao seu amigo Arnaldo Rocha, biografado por Carlos Alberto Braga Costa, no livro Chico, Diálogos e Recordações, editado pelo O Clarim.

2.Arnaldo Rocha, também teve o seu trabalho divulgado no mesmo livro – Nos domínios da Mediunidade, com o pseudomino Raul Silva.

3.A autora Suely Caldas Schubert do excelente livro Testemunhos de Chico Xavier, editado pela. FEB. cap. Papel de palhaço, especula a possibilidade da médium Ambrosina, do livro Nos Domínios da Mediunidade, cap. 16, “poderia ter sido a do próprio Chico”.

4.Em outro trabalho orientativo Dimensões espirituais do Centro Espírita, editado pela FEB, Capítulo Mandato mediúnico, a autora de Juiz de Fora, volta a afimar: Em minha opinião pessoal a experiência de Chico Xavier pode ter sido relatada por André Luiz, ilustrando-a como tendo sido vivida pela personagem Ambrosina, tanto quanto suponho ser esta reunião que estamos comentando nesse capítulo uma descrição da que era realizada pelo médium mineiro.

 

Texto adaptada para o posts.

Livro Nos Domínios da Mediunidade. Espírito André Luiz. Psicografia de F.C.Xavier. Editora FEB

 


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