Publicado por: . | 31 outubro, 2017

O fim do mundo – Dissertação Espírita

(Sociedade de Paris, 28 de fevereiro – Médium: Sr. Morin)
Eu passava, quando o eco me trouxe a vibração de uma imensa gargalhada. Prestei atenção e, tendo reconhecido o ruído do
riso dos encarnados e dos desencarnados, me disse: Sem dúvida a coisa é interessante; vamos ver!… E eu não acreditava, senhores, ter o prazer de vir passar a noite junto de vós. Contudo, estou feliz por isto, crede-o bem, porque sei toda a simpatia que conservastes por vosso antigo colega.  
Assim, aproximei-me e os ruídos da Terra me chegaram mais distintos: O fim do mundo! exclamavam; o fim do mundo!…
Oh! meu Deus, me disse eu, se é o fim do mundo, em que se vão tornar?… A voz de vosso presidente e meu amigo, chegando até mim, compreendi que vos lia algumas passagens de uma brochura na qual se anuncia o fim do mundo como muito próximo. O assunto interessou-me; escutei atentamente e, após ter refletido maduramente, venho, como o autor da brochura, dizer-vos: Sim, senhores, o fim do mundo está próximo!… Oh! não vos assusteis, senhoras, porque é preciso estar bem perto para o tocar; e quando o tocardes o vereis.
Esperando, se me permitis, vou dar-vos minha apreciação sobre esta palavra, espantalho dos cérebros fracos e, também, dos Espíritos fracos; porque, sabei-o, se o temor do fim do mundo aterroriza os seres pusilânimes do vosso mundo, fere
igualmente de terror os seres atrasados da erraticidade. Todos os que não estão desmaterializados, isto é, que, embora Espíritos, vivem mais materialmente que espiritualmente, se apavoram à idéia do fim do mundo, porque compreendem, por esta palavra, a destruição da matéria. Não vos admireis, pois, de que essa idéia emocione certos Espíritos, que não saberiam em que se tornar, se a Terra não existisse mais, porquanto a Terra ainda é o seu mundo, o seu ponto de apoio.
Por mim, me disse: Sim, o fim do mundo está próximo; está aí, eu o vejo, o toco… está próximo para os que, mau grado seu,
trabalham para precipitar o seu advento!… Sim, o fim do mundo está próximo; mas, o fim de que mundo?
Será o fim do mundo da superstição, do despotismo, dos abusos mantidos pela ignorância, pela malevolência e pela
hipocrisia; será o fim do mundo egoísta e orgulhoso, do pauperismo, de tudo o que é vil e rebaixa o homem; numa palavra,
de todos os sentimentos baixos e cúpidos, que são o triste apanágio do vosso mundo.
Esse fim do mundo, essa grande catástrofe que todas as religiões concordam em prever, é o que elas entendem? Ao
contrário, não se deve ver a realização dos altos destinos da Humanidade? E se refletirmos em tudo o que se passa em torno de nós, esses sinais precursores não serão o sinal do começo de um outro mundo, isto é, de um outro mundo moral, em vez do da destruição do mundo material?
Sim, senhores, um período de depuração terrestre termina neste momento; um outro vai começar… Tudo concorre
para o fim do velho mundo, e os que se esforçam por sustentá-lo trabalham energicamente, sem o querer, para a sua destruição. Sim, o fim do mundo está próximo para eles; pressentem-no e se apavoram, crede bem, mais que do fim do mundo terrestre, porque é o fim de sua dominação, de sua preponderância, a que se apegam mais do que a qualquer outra coisa; e isto não será, em relação a eles, a vingança de Deus, pois Deus não se vinga, mas a justa recompensa de seus atos.

Como vós, os Espíritos são filhos de suas obras; se são bons, é porque trabalharam para o ser; se são maus, não é porque
tenham trabalhado para o ser, mas porque não trabalharam para se tornarem bons.
Amigos, o fim do mundo está próximo e vos convido vivamente a tomar boa nota desta previsão; ele está tanto mais
próximo quanto já se trabalha para o reconstruir. A sábia previdência dAquele a quem nada escapa, quer que tudo se
construa, antes que tudo seja destruído; e quando o edifício novo for concluído, quando a cumeeira estiver coberta, então é que desabará o antigo; cairá por si mesmo, de sorte que entre o mundo novo e o velho não haverá solução de continuidade.
É assim que se deve entender o fim do mundo, que já pressagiam tantos sinais precursores. E quais serão os poderosos
obreiros para esta grande transformação? Sois vós, senhoras; sois vós senhoritas, com o auxílio da dupla alavanca da instrução e do Espiritismo. Na mulher na qual o Espiritismo penetrou, há mais que uma mulher, há um trabalhador espiritual; nesse estado, tudo trabalhando por ela, a mulher trabalha ainda muito mais que o homem na edificação do monumento, porque, quando ela conhecer todos os recursos do Espiritismo e dele souber servir-se, a maior parte da obra por ela estará feita. Amamentando o corpo de seu filho, também poderá alimentar o seu espírito; e que melhor ferreiro do que o filho de um ferreiro, aprendiz de seu pai? Assim o menino sugará, ao crescer, o leite da espiritualidade, e quando tiverdes espíritas, filhos de espíritas e pais de espíritas, o fim do mundo, tal qual o compreendemos, não estará realizado? Depois
disto, admirai-vos de que o Espiritismo seja um espantalho para tudo o que se prende ao velho mundo, e do encarniçamento com que procuram sufocá-lo em seu berço?

Jobard. Revista Espírita 1868, publicada por Allan Kardec


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