Publicado por: . | 26 abril, 2018

TROPEÇARAM, PARA QUE CAÍSSEM?

TROPEÇARAM, PARA QUE CAÍSSEM?

A LUZ RAIOU

 

No estudo da Justiça Divina, em sua abrangência sábia e promotora de vida, a questão dos Espíritos degredados é tema inarredável das análises de cunho evolutivo, porque, se a matéria é sempre “o laço que prende o espírito”, para a dinâmica de seu progresso interior, a solidariedade entre os mundos da Amplidão estabelece, na denominada “Pluralidade dos Mundos habitados”, as cadeias de vida crescente e depuradoras, sem que o progresso das individualidades sofreria de continuidade na Criação excelsa.As Chaves do Reino

Não estamos sós no Universo, e as condições existenciais das almas nos mundos que gravitam em famílias distintas, como a Terra e outros orbes em torno do sol, guardam peculiaridades próprias em relação à sua constituição material, já que, conforme o padrão moral e intelectual dos habitantes, a matéria apresenta dinâmica vibracional diferenciada. Embora diversificados entre si, em galáxias conhecidas ou ainda não, os planetas, que reúnem famílias espirituais com fins determinados, sempre visando o progresso e a elevação, são solidários e oferecem contingentes espirituais, tanto quanto recebem seres, assegurando a dinâmica da vida sempre mais alta e pura no Universo.

Enunciando que “ Na casa de meu Pai há muitas moradas” (João 14:02), Jesus descortina novos horizontes para o entendimento humano, a fim de que possamos avançar para além dos apegos e das cristalizações mentais, que nos escravizam à matéria densa da Terra. A figura de Adão, no primeiro livro da Bíblia, é fecunda expressão simbólica a noticiar não somente o surgimento do “primeiro homem” na face organizada do planeta, como síntese de todos os caracteres e recursos biológicos, que nos assinalam as experiências sociais até hoje. De fato, no entanto, ultrapassa essa conquista, pois significa uma “raça”, que deu origem a quatro grandes povos de nossa história: os egípcios, os hindus, os hebreus e os arianos da Europa. Trata-se dos “exilados de capela”, os habitantes de um dos orbes da família de mundos que se situa na constelação de Cocheiro. Minoria entre seus irmãos de luta evolutiva que já cultivavam o bem, tornaram-se um “tumor maligno” naquele Planeta, e, por seleção natural, sintonizaram o ambiente primitivo da Terra, para onde foram trazidos, com a participação ativa de nosso Governador Planetário, Jesus-Cristo. O Espiritismo trabalha com propriedade o assunto, tratando-o filosoficamente, mas com contornos de ciência que pesquisa e esquadrinha material comprobatório, dentro de uma lógica e de um bom senso impecáveis.

É que não há evolução senão “em dois mundos”, ou seja, entre o espiritual e o material. Se a solidariedade entre orbes do infinito é fato, isso ocorre graças aos movimentos inteligentíssimos e justos do mundo espiritual, que a tudo preside e ordena.

Será com base nesse entendimento que o estudioso dos Evangelhos poderá compreender textos muito específicos, como este: “E, ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mateus 15:24). Aqui, Jesus explica o primacial motivo de sua vinda ao mundo, pois Ele próprio havia tratado do degredo desse grupamento de Espíritos – a fim de fomentar o progresso entre os seres primitivos (autóctones, os aborígenes) existentes na Terra -, e prometera a eles vir, pessoalmente, para dar-lhes apoio e assegurar-lhes o caminho de sua redenção. As “ovelhas perdidas” representam esses “caídos” de um mundo que atravessa, naquela época, a transição que hoje a nossa Terra experimenta – de “mundo de expiações e de provas” para “mundo de regeneração”.

Paulo de Tarso conhecia o assunto, e discorre com propriedade, esclarecendo: “Digo, pois: Porventura tropeçaram, para que caíssem? De modo nenhum, mas pela sua queda veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação” (Romanos 11:11). A lógica espiritual dessa “interdependência” é tão notória, que podemos recordar a forma encontrada na Terra de levar o progresso e a civilização aos povos bárbaros ou primitivos – invasão dos seus domínios por povos mais cultos e mais habilidosos, infelizmente “impondo” nova ordem de cultura, e pela exploração de riquezas. Não estamos estudando aqui méritos ou deméritos, apenas analisando fatos para geração de referenciais. Ciente desses mecanismos, o Apóstolo da Gentilidade argumenta com impressionante domínio do tema (Romanos 11:12): “E, se a sua queda [degredo dos capelinos na Terra] é a riqueza do mundo [trouxeram um progresso intelecto-moral que os primitivos terráqueos não conheciam], e a sua diminuição a riqueza dos gentios [aparentemente, esses Espíritos foram humilhados, pois viviam num mundo mais adiantado e tiveram de “descer” de nível, inclusive encarnado através de seres – os gentios – que, para o seu entendimento, eram ainda animais, sem o aprimoramento dos corpos físicos, o que se daria com a chegada deles, que apresentavam os perispíritos já dinâmicos e com valores fixados], quanto mais a sua plenitude! [ se o “caído” se regenerasse, passaria a cuidar dos simples, dos gentios, educando-os, pois seriam exemplos vivos]”.

Com essa capacidade de discernir e interpretar, porque em conhecimento das Leis Universais, tão bem estudadas pela Doutrina dos Espíritos, vamos encontrar a beleza de uma profecia de Isaías, trazida para as anotações de Levi, a fim de mostrar o cumprimento da vinda do Messias, atendendo de modo perfeitamente didático às duas condições evolutivas dos seres aqui já integrados, os “caídos”, em expiação, e os simples, os “gentios”: “O povo, que estava assentado em trevas , viu uma grande luz; e aos que estavam assentados na região e sombra da morte a luz raiou” (Isaías 9:2); Mateus 4:16).

Nesse texto profético que se cumpriu, “treva” significa “erro cometido de modo consciente e espontâneo”. Por isso, aquele povo, que estava “ajustado” no plano das expiações, entre culpa e remorso, “viu uma grande luz”, pois já sabiam, do mundo de origem, o que significava um “Cristo planetário”. De outra forma, aos que ainda “ajustavam”, estando “assentados na região da morte” (reencarnação fechada, sem perspectivas maiores, em que apenas o instinto predomina, para salvaguarda das primeiras experiências psíquicas) “a luz raiou”, ou seja, surgiu em primeiro plano para esse povo simples e sem experiência a revelação de seu destino.

É por isso que, mesmo pregando para o gentio, Paulo escreve em uma de suas epístolas: “Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da Luz” (Efésios 5:8).

Fonte: Livro “As Chaves do Reino”
Pelo Espírito: Honório Abreu
Psicografia: Wagner Gomes da Paixão
Capítulo: 16

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