Publicado por: . | 30 maio, 2018

Mensagens de um “tal” “Emmanuel” – Artigo de Carlos Alberto B Costa

Mensagens de um “tal” “Emmanuel”

Carlos Alberto Braga Costa

betobragacosta@gmail.com

Belo Horizonte- MG

 

            Chegou-nos, pelos canais da internet, uma de muitas mensagens apócrifas supostamente de autoria dos Benfeitores que operam nas Esferas Espirituais.

            Em meio ao caos político e econômico que atravessa a nação brasileira, a moda agora revela os “Espíritos Superiores” envolvidos com as querelas humanas, como se não houvesse no Mundo Espiritual atribuições relevantes. 

            Política, economia, lava jato, greves, eleições, passaram a ser tema do alto escalão das esferas dos “mortos”. Parafraseando o poeta Humberto de Campos quando ainda encarnado, insuflava no surto de seu escárnio, criticando a obra “Parnaso de Além-Túmulo” pronunciando nas gazetas do Rio de Janeiro:- “os vivos estão em apuros, pois os mortos estão descendo para substituí-los”.

            Pelo menos se fomenta para aqueles a serem substituídos, uma onda de correntes de orações para salvá-los e acalmar os ânimos exaltados. E, ao que parece, o Brasil precisa de muitas preces. Isso nos faz pensar como andam a deriva os outros países que não tem a missão de ser o coração do Mundo. (Sic) 

            Nessa apoteose de mensagens, a maioria tem selo divino, pois são assinadas pelos mais famosos vultos do Movimento Espírita, a saber: Anjo Ismael, Eurípedes Barsanulfo, Bezerra de Menezes, André Luiz, e outros para assuntos espíritas. Tirandentes, José Bonífácio e tantos políticos desencarnados que se mobilizam para cuidar das PECs, Medidas Provisórias, Decretos Leis e outra tantas resoluções advindas dos 3 poderes do Brasil.

            Para não perder o posto de coordenador da falange impoluta, surge um novo Emmanuel. Destaca-se por ser político do astral e salvador da pátria. Para alguns ele já reencarnou para ser, pasmem, presidente. Cabe, no entanto, descobrir quando e por qual partido. Só sabemos que esse de agora, vem aos mortais revelar-se preocupadíssimo com os problemas do “Planalto Central”.

            Como se não bastasse, tem soluções espetaculares. Abre portais miraculosos, revelando novidades que alteram subitamente a vida no território humano. Vamos aguardar o que irá sugerir na próxima eleição, pois também anda incentivando as famosas correntes de oração.  

            Com Chico Xavier tínhamos Emmanuel ensinando e exemplificando nas tarefas do Consolador. Depois da desencarnação do médium mineiro, não sabendo o motivo, temos “Emmanuel” para todos os gostos e necessidades, contradizendo o que ele fez com tanta propriedade.  Pergunta-se: O cargo está vago? Ou a coisa anda preta mesmo?

            Brincadeiras a parte, sabemos que não. Emmanuel é um Espírito com muitas responsabilidades quanto ao progresso pessoal e coletivo e continua atuando proficuamente nas frentes espirituais, junto aos médiuns sérios e fidedignos aos princípios do Espiritismo. A lógica aponta para sua atuação, como antes, voltada para o desenvolvimento no campo moral e no auxílio aos sofredores.  E, atualmente, junto de Chico Xavier que ingressou na admirável falange do bem nos domínios e dimensões do ultra tumba.

            Certa feita, Chico Xavier quebrou o protoco e desferiu um golpe certeiro contra a suposta exclusividade entre ele e o Espírito Emmanuel.

            Dialogando com Júlio César G. Ribeiro, após Julinho psicografar um texto do benfeitor Emmanuel, ele assim pronunciou: “É Emmanuel puro! Precisamos saber que Emmanuel não é de Chico e nem de ninguém.” Em seguida Julinho, conforme carinhosamente era tratado por Chico, questionou: – “Chico! Será que Emmanuel só pode psicografar por você? E quando você se for?… Os espíritos guardam preferências por médiuns? E o grande médium acrescentou com humildade: “Dei-lhe explicações bastante convincentes acerca das afinidades espirituais e dos compromissos assumidos em nome das responsabilidades mediúnicas, lembrando-lhe que Emmanuel é de todos e para todos…. Esta mensagem veio a calhar, meu filho…”[1]

            Com esse depoimento, Chico Xavier demonstra que todos são livres para operar e se relacionar. A beleza do trabalho do Cristo enseja dinamizar as relações, ampliando experiências e favorecendo a interação entre os habitantes das diversas dimensões nas “Moradas do Pai”.

            Conclui-se que todo exclusivismo representa polarização fanática e absurdo enquistamento personalístico.

            Voltando ao venerando Emmanuel e as supostas “mensagens”, sabe-se que ficou notoriamente conhecido como Espírito coordenador de vasta literatura de conteúdo Espírita.

            Polígrafo admirável, exegeta de alta qualidade, educador por excelência, escritor nobre, romancista de alta categoria, hábil na síntese de seus textos, apresentou um estilo inconfundível. Ético no trato dos temas polêmicos, fiel aos princípios Codificados por Allan Kardec, Emmanuel se revelou notável evangelista.

            Bem diferente desse “tal” “Emmanuel”, que se manifesta místico, ufanista, político e nacionalista.

            Não nos prenderemos no tema “ocupação dos Espíritos Superiores”. No entanto, o dever como aprendizes da Boa Nova à Luz do Espiritismo e admiradores dos veros Educadores do além-túmulo, seria usar de prudência antes de sair espalhando mensagens que chegam pelos mais diversos caminhos virtuais sem antes analisar fonte, autor, estilo, conteúdo e circunstância.

            De confusão, basta o que está fora das hostes espíritas! Todo cuidado é pouco com as mensagens assinadas por espíritos ilustres.

            A lógica patenteia a observação séria, honesta e criteriosa antes de espalhar vírus pela rede extraordinária de intercâmbio virtual.

            Se continuarmos agindo impensadamente com o desculpismo de que isso “não faz mal algum”, em breve constataremos que “bem também não faz”. E por essa desculpa, em nome do Espiritismo, poderemos estar prestando um desserviço à causa do Consolador.

            Sem contar que estaremos apoiando e/ou engrossando as fileiras dos tais pretensos “emmanueis”…

            Quanto ao Brasil, sem dúvida que devemos nos unir em prece, e trabalhar de sol a sol com confiança que o futuro é construído a partir do agora.

            A cada um segundo suas obras….

            Para encerrar, vamos estudar.

            Convido o web amigo a meditar com o Espírito Emmanuel numa reflexão de conjuntura a respeito do cenário da política nacionalista dos idos de 1935, conforme pode ser acessado no link https://chico-xavier.com/2018/05/28/nacionalismo-fraternidade-espirito-emmanuel-f-c-xavier/,   cremos que as ponderações do aludido texto poderia contribuir com a análise do cenário atual, obviamente em foro de imortalidade.  

Ave, Cristo!

 

Referência bibliográfica:

[1]       MATTOS. Divaldinho. De Amigos para Chico Xavier, SP: Ed. DIDIER, 1997

 


Responses

  1. Texto muito bom, retratando o festival de besteiras atribuído aos espíritos amigos que ajudaram a fundamentar o Espiritismo na contemporaneidade. Um verdadeiro desserviço à Doutrina Espírita. Faço eco a todas as palavras do caro confrade. Abraço


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