Publicado por: . | 22 junho, 2018

A Inconsciência da Vida no Além

Cairbar_Schutel_2Morto o corpo, a individualidade sobrevivente é tomada de um estado psíquico original, dependendo muito, esse estado, das crenças do indivíduo, seu modo de agir quando vivia na Terra, sua moralidade, finalmente, seu grau de evolução Espiritual.

(….) é infinita a variedade de sofrimentos produzidos pela inconsciência da vida Além.

(…), uns custam muito a compreender o seu estado, a sua situação; muitos querem crer que não morreram, pois encararam a morte como o fim da existência; mas, sentindo que continuam a existir, percebem que algo ocorreu e sentem-se em grande confusão. Outros consomem largo tempo em busca de um céu imaginário, com que foram acalentados na Terra; muitos, sentindo-se culpados e convencidos de já haverem deixado a vida terrena, julgam-se no Purgatório, e outros, ainda, fustigados pelo remorso de suas más obras, sentem-se abrasados por um fogo terrível, que as dores morais ocasionam, julgando-se num inferno candente, sem luz, sem paz no coração, blasfemando contra a própria existência.

A passagem do mundo terreno para o Mundo Espiritual ocasiona tantas dúvidas; tantas agonias, tão terríveis perturbações aos espíritos não preparados para essas mudanças fatais, irremediáveis, que a maior parte raramente consegue adaptar-se logo à nova fase de vida.

Quantos se acham noutro mundo, uns como que adormecidos, outros delirando, outros continuando em seu viver material, sem compreenderem, o meio em que vivem e a sua situação!

É lógico que aqueles que não se prepararam para essa mudança, nem tiveram quem lhes preparasse um lugar para, ao chegarem a esse mundo de luzes, serem recebidos e logo iniciados; aqueles que não quiseram dar ouvidos às vozes espirituais, à Lei de Deus, que a todos mostra a trilha que devemos palmilhar para um bom empreendimento futura, devem passar por acérrimos sofrimentos morais.

Os viciosos, os contumazes, os que excluíram Deus da consciência, que enxovalharam e lesaram o próximo; os que venderam sua inteligência, sua alma, seu coração; os que traficaram com as coisas divinas, sofrem terríveis reprimendas, de acordo sempre com as faltas cometidas; porque a penalidade, não só na Terra, como na Outra Vida, está em proporção às infrações da Lei.

Não há uma só falta que não exija imediata corrigenda, e essa correção começa sempre pelo sofrimento.

Enfim, a perturbação ou o estado de inconsciência dos Espíritos é muito variável; cada um sofre-as de acordo com a sua evolução, a sua constituição psíquica, o papel de responsabilidade social que assumiu na existência terrestre, a sua instrução intelectual, etc. Entre dois indivíduos, um ignorante e outro letrado, que tenham incorrido na infração da mesma lei, a pena do letrado se agrava, ao passo que a do ignorante, será atenuada. Tudo está em relação com o indivíduo e o crime cometido. Assim também é a natureza da perturbação, peculiar a cada indivíduo.

Um fato notável tem sido verificado com muitos Espíritos: o não saberem eles que “morreram”, segundo a expressão usual. Esse fato se verifica com os Espíritos muito materializados e muito materialistas, especialmente com os suicidas. É uma espécie de condenação a que ficam sujeitos, em virtude da sua teimosia na negação.

Enfim, todos esses Espíritos atrasados ficam presos à Terra; caminham aqui e ali; mas as suas vistas abrangem mais a Terra que o mundo Espiritual. Eles se apinham em torno do globo, presos sempre à pátria e à família, acompanhando todos os movimentos do planeta, como se estivessem encarnados e, muitos deles, sofrem as variações atmosféricas e outras sensações peculiares aos que ainda estão incorporados na matéria.

Quando vêem o Mundo Espírita não o compreendem. Pasmam ao observarem a Vida Espírita, o modo porque agem os Espíritos adiantados; admiram-se ao atravessarem grandes cidades, metrópoles flutuantes, ao verem casarios transparentes e multicolores, majestosos edifícios, cuja luz os ofusca; veículos céleres a deslizarem de um a outro ponto; jardins aprimorados com flores belas e aromáticas como nunca viram na Terra. Tudo isso lhes causa estranheza tal e ocasiona-lhes perturbação tão profunda, que preferem, muitas vezes, não prestar atenção senão ao mundo onde deixaram seus corpos e ao qual se acham ligados por afinidades antigas.

São esses Espíritos que vivem numa ânsia contínua de se comunicar com os homens, não tanto para demonstrarem sua sobrevivência, mas para, se possível, prosseguirem no seu antigo modo de viver.

Eles desenvolveram ao extremo os seus sentidos físicos, e, havendo aniquilado o sentido espiritual, ficam, por isso, entre as trevas e a luz, entre o mundo da carne e o mundo do espírito, sem poderem prosseguir na sua vida material e sem poderem viver na vida espiritual, até que as preces, as instruções, os bons conselhos os encaminhem à realidade e sejam então iniciados na vida nova, na qual sentirão grande gozo, gozo esse que se tornará, para eles, um incentivo para trabalharem em prol de seu progresso e bem-estar espiritual.

Extraído do Livro:

“A Vida no Outro Mundo”

Autor: Caírbar schutell – 1932

Capítulo: 16


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