Publicado por: . | 4 agosto, 2018

FAMÍLIA

A família consanguínea, entre os homens, pode ser  apreciada como  o  centro  essencial de  nossos   reflexos.   Reflexos  agradáveis ou desagradáveis que o pretérito nos devolve.2-e1334868674792

Certo, não incluímos aqui  os  Espíritos pioneiros da  evolução que,  trazidos ao ambiente comum,  superam-no, de  imediato, criando o clima  mental  que  lhes  é  peculiar,  atendendo  à  renovação de que se fazem intérpretes.

Comentamos a nossa posição no campo vulgar da luta.

Cada criatura está  provisoriamente  ajustada  ao  raio  de  ação  que é capaz de desenvolver ou, mais claramente, cada um de  nós apenas, pouco a pouco,  ultrapassará  o  horizonte  a  que  já  estenda os reflexos que lhe digam respeito.

O homem primitivo  não  se  afasta, de  improviso,  da  própria taba, mas aí renasce múltiplas vezes, e o homem relativamente civilizado demora-se  longo  tempo  no  plano  racial  em  que  assimila  as experiências de que carece, até que a soma de suas aquisições o recomende a diferentes realizações.

É assim que na esfera do grupo consanguíneo o Espírito reencarnado segue ao encontro dos laços que entreteceu  para  si  próprio, na linha mental em que se lhe caracterizam as tendências.

A chamada hereditariedade psicológica é, por isso, de algum modo, a natural aglutinação dos espíritos  que  se  afinam  nas  mesmas atividades e inclinações.

Um grande artista ou um herói preeminente podem nascer em  esfera estranha aos sentimentos nos quais se avultam. É a  manifestação   do  gênio  pacientemente   elaborado   no  bojo  dos  milênios, impondo  os  reflexos  da  sua  individualidade  em  gigantesco  trabalho criativo.

Todavia, na senda habitual, o templo  doméstico  reúne  aqueles  que se retratam uns nos outros.

Uma família de músicos terá mais facilidade para recolher companheiros da arte divina  em  sua  descendência,  porque,  muita vez, os Espíritos que assumem  a  posição  de  filhos  na  reencarnação, junto deles, são os mesmos amigos que lhes incentivavam a formação musical, desde o reino do Espírito, refletindo-se reciprocamente na continuidade  da  ação  em  que  se  empenham  através de séculos numerosos.

É ainda assim que escultores e poetas, políticos e médicos, comerciantes e agricultores quase  sempre  se  dão  as  mãos, no  culto dos melhores valores afetivos,  continuando-se, mutuamente,  nos  genes  familiares, preservando para   si  mesmos,   mediante   o  trabalho em comum e segundo a lei do  renascimento,  o  patrimônio  evolutivo em que se exprimem no espaço e no tempo.  Também  é assim, de conformidade com  o  mesmo princípio  de  sintonia,  que vemos dipsômanos e cleptomaníacos, tanto quanto delinquentes e enfermos de ordem moral, nascendo daqueles que lhes comungam espiritualmente as deficiências e as provas, porquanto  muitas inteligências  transviadas se  ajustam  ao  campo  genético   daqueles que lhes atraem a companhia, por  força  dos  sentimentos menos dignos ou das ações deploráveis com que se oneram perante a Lei.

A tara familiar,  por  esse  motivo,  é  a  resultante  da  conjunção de débitos, situando-nos no plano genético  enfermiço  que  mere- cemos, à face dos nossos compromissos com  o  mundo  e  com  a  vida. Dessa  forma,  somos  impelidos  a  padecer  o  retorno  dos nossos reflexos tóxicos através de pessoas de nossa parentela,  que no-los devolvem por aflitivos processos de sofrimento.

Temos assim, no grupo doméstico, os laços de elevação  e  alegria   que   já  conseguimos   tecer,   por   intermédio   do  amor  louvavelmente vivido, mas também as algemas  de  constrangimento  e aversão,  nas  quais  recolhemos,  de  volta,  os  clichês  inquietantes   que nós mesmos plasmamos na memória do destino e  que  necessitamos desfazer, à custa de trabalho e sacrifício, paciência e  humildade, recursos novos com que faremos  nova  produção  de  reflexos espirituais, suscetíveis  de  anular os  efeitos de  nossa  conduta anterior, conturbada e infeliz.

Livro: “Pensamento e Vida”

Psicografia: Francisco Cândido Xavier

Pelo Espírito: Emmanuel

Capítulo: 12


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