Publicado por: . | 9 outubro, 2018

Culpa

Culpasolidão

 

Quando fugimos ao dever precipitamo-nos no  sentimento  de  culpa, do qual se origina o remorso, com múltiplas manifestações, impondo-nos brechas de sombra aos tecidos sutis da alma.

E  o  arrependimento,  incessantemente  fortalecido   pelos   refle- xos de nossa lembrança  amarga,  transforma-se  num  abcesso  men-  tal, envenenando-nos, pouco a pouco, e expelindo,  em  torno,  a corrente miasmática de nossa vida íntima, intoxicando o  hausto espiritual de quem nos desfruta o convívio.

À feição do ímã,  que  possui  campo  magnético  específico,  to-  da criatura traz consigo o halo ou aura de  forças  criativas ou destrutivas que lhe marca a índole, no feixe de  raios  invisíveis  que arroja de si mesma. É por esse halo que estabelecemos as nossas ligações de natureza invisível nos domínios da afinidade.

Operando a onda mental em regime de circuito, por ela incor- poramos, quando  moralmente  desalentados,  os  princípios  corrosi- vos que emanam de todas as Inteligências, encarnadas ou desen- carnadas, que se entrosem conosco no âmbito de nossa atividade e influência.

Projetando as energias  dilacerantes  de  nosso  próprio  desgos-  to, ante a culpa que adquirimos, quase sempre somos subitamente visitados por silenciosa argumentação interior que  nos  converte o pesar, inicialmente alimentado contra nós mesmos, em  mágoa  e irritação contra os outros.

É que os reflexos de nossa defecção,  a torvelinharem  junto  de nós, assimilam,  de  imediato,  as  indisposições  alheias, carreando  para a acústica de nossa alma todas as mensagens inarticuladas de revolta  e  desânimo,  angústia  e  desespero  que  vagueiam  na   atmosfera psíquica em que respiramos, metamorfoseando-nos  em  autên- ticos rebelados sociais,  famintos  de  insulamento  ou  de  escândalo, nos quais possamos  dar  pasto  à  imaginação  virulada  pelas  mórbi-  das sensações de nossas próprias culpas.

É nesse estado negativo que, martelados pelas vibrações de sentimentos e  pensamentos  doentios,  atingimos  o  desequilíbrio  parcial ou total da harmonia orgânica, enredando  corpo  e alma  nas teias da enfermidade, com a  mais  complicada  diagnose  da  patolo-  gia clássica.

A noção de culpa, com  todo  o  séquito  das  perturbações  que  lhe são conseqüentes,  agirá com os seus reflexos  incessantes  sobre      a região do corpo ou da alma que  corresponda  ao tema  do remorso de que sejamos portadores.

Toda deserção do dever a cumprir traz consigo o  arrependi-  mento que, alentado no espírito, se faz acompanhar de resultantes atrozes, exigindo, por  vezes,  demoradas existências de  reaprendi- zado e restauração.

Cair  em  culpa  demanda,  por  isso  mesmo,  humildade  viva  para o reajustamento tão imediato quanto possível de nosso equilíbrio vibratório, se não desejamos o ingresso inquietante na escola  das longas reparações.

É por essa razão que  Jesus,  não  apenas  como  Mestre  Divino mas também como Sábio Médico, nos  aconselhou  a  reconciliação  com os nossos adversários, enquanto nos achamos  a  caminho  com eles, ensinando-nos a encontrar a verdadeira felicidade  sobre  o  alicerce do amor puro e do perdão sem limites.

(Livro: Pensamento e Vida – Psicografia: Francisco Cândido Xavier – Pelo Espírito Emmanuel – Lição: 22)


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