Publicado por: . | 9 fevereiro, 2019

Em Torno da Irritação

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Observação estranha, mas fato real. As ocorrências da irritação aparecem muito mais freqüentemente nos caracteres enobrecidos. Espécie de enfermidade da retidão, se a retidão pudesse adoecer.

         A pessoa percebe a grandeza da vida, acorda para a responsabilidade, consagra-se à obrigação e passa a prestigiar disciplina e tempo; adquirindo mais ampla noção do dever, que reconhece precisa exprimir-se irrepreensivelmente executado, supõem-se com mais vasta provisão de direitos. E, por vezes, leva mais longe que o necessário a faculdade de preservá-los e defendê-los, iniciando as primeiras formações de irascibilidade, através da superestimação do próprio valor. Instalado o sentimento de auto importância, a criatura abraça facilmente melindres e mágoas, diante de lutas naturais que considera por incompreensões e ofensas alheias.

         Chegando a esse ponto, as vítimas desse perigoso síndroma, vinculado à patologia da mente, surgem perante os mais íntimos na condição de enfermos prestimosos, amados e evitados, de vez que não se lhes pode ignorar a altura moral e nem adivinhar o momento da explosão. E porque o mau-humor dos espíritos respeitáveis, pelo trabalho que exercem e pela conduta que esposam, dói muito mais que a leviandade de criaturas menos afeitas à dignidade e ao serviço, semelhantes companheiros estimáveis e preciosos são procurados tão-somente em regime de exceção ou postos à margem pela gentileza dos outros, interpretados à conta de amigos temperamentais ou nervosos distintos.

         Examinemos a nós mesmos.

         Dirijamos para dentro da própria alma o estilete da introspecção.

         Se a agressividade nos assinala o modo de ser, tratemos do caráter enfermiço, com a mesma atenção com que se medica um órgão doente. E se nossa consciência  jaz tranquila , na certeza de que temos procurado realizar o melhor ao nosso alcance, no aproveitamento das oportunidades que o Senhor nos concedeu, estejamos serenos na dificuldade e operosos na prática do bem, à frente de quaisquer circunstância, lembrando-nos de que a erva-de-passarinho asfixia de preferência as árvores nobres e a tiririca se alastra , como verdadeira calamidade, justamente na terra boa.

Liberte a Você

Lábios envenenados pelo fel da maledicência não conseguem sorrir com verdadeira alegria.

        Ouvidos fechados com a cera da leviandade não escutam as harmonias intraduzíveis da paz.

        Olhos empoeirados pela indiscrição não vêem as paisagens reconfortantes do mundo.

        Braços inertes na ociosidade não conseguem fugir à paralisia.

        Mente prisioneira no mal não amealha recursos para reter o bem.

        Coração incapaz de sentir a fraternidade pura não se ajusta ao ritmo da esperança e da fé.

*

        Liberte a você de semelhantes flagelos.

        Leis indefectíveis de amor e justiça superintendem todos os fenômenos do Universo e fiscalizam as reações de cada espírito. Assim, pois, no trabalho da própria renovação, a criatura não pode desprezar nenhuma das suas manifestações pessoais, sem o que dificilmente marchará para a Vanguarda de Luz.

Livro: “Estude e Viva” – Psicografia: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira – Pelos Espíritos: Emmanuel e André Luiz


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