Publicado por: . | 18 maio, 2021

NOSSAS CRUZES

Nossas Cruzes

“…Se alguém quiser vir após mim, negue-se

a si mesmo,

tome a sua cruz e siga-me.”

Jesus (Marcos, 8:34)

“Rejubilai-vos,

diz Jesus, quando os homens vos adiarem e per seguir em por minha causa, visto que ser eis

recompensados no Céu. Podem traduzir se assim estas verdades: Considerai-vos

ditosos, quando haja homens que, pela sua má vontade par a convosco, vos deem ocasião de

provar a sinceridade da vossa fé, por quanto o mal que vos façam redundar á em proveito vossa. Lamentai-lhes

a cegueira, porém, não os maldigais.”

(Cap. 24, Item 19)

Julgávamos, antigamente, que nossas cruzes, as que devemos carregar, ao

encontro do Senhor, se constituíam unicamente daquelas dos exercícios louváveis

mas incompletos da piedade religiosa. E perdemos, em parte, muitas reencarnações,

hipnotizados por sentimentalismo enfermiço, ilhando-nos, sem perceber, nas

miragens da própria imaginação para esbarrar, em seguida, com os pesadelos do

tempo, largado inútil.

Com a Doutrina Espírita, que nos revela o significado real das palavras do

Cristo, aprendemos hoje que não bastam fugas e omissões do campo de luta a fim de

alcançarmos a meta sublime.

Assevera Jesus que se nos dispomos a encontra-lo, é preciso renunciar a nós

mesmos e tomar nossa cruz. Essa renúncia, porém, não será semelhante à fonte seca.

É necessário que ela demonstre rendimento de valores espirituais, em nosso favor e

a benefício daqueles que nos cercam, ensinando-nos

o desapego ao bem próprio pelo bem de todos.

À face disso, nossas cruzes incluem todas as realidades que o mundo nos

oferece, dentro das quais somos convocados a esquecer-nos

na construção da felicidade geral.

Os fardos que nos cabem transportar, a fim de que venhamos a merecer o

convívio do Mestre, bastas vezes contêm as dores das grandes separações, as farpas

do desencanto, as provações em família, os sacrifícios mudos, em que os entes

amados nos pedem ‘largos períodos de aflição, os desastres do plano físico que nos

cortam a alma, o abandono daqueles mesmos que nos baseavam todas as esperanças,

o cativeiro a compromissos pela sustentação da harmonia comum, as tarefas difíceis,

em cuja execução, quase sempre, somos constrangidos a marchar, aguardando

debalde o concurso alheio.

Não nos enganemos. O próprio Cristo transportou o madeiro que a nossa

ignorância lhe atribuiu, palmilhando senda marginada de exigências, injúrias,

pancadas e deserções.

Ninguém abraça o roteiro do Evangelho para estirar-se em redes de

fantasia. O cristão é chamado a melhorar e elevar o nível da vida e para quem

efetivamente vive em Cristo, a vida é um caminho pavimentado de esperança e

trabalho, alegria e consolo, mas plenamente aberto às surpresas e ensinamentos da

verdade, sem qualquer Ilusão.

Livro da Esperança – lição 80 – Emmanuel – F C Xavier

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