Publicado por: . | 7 novembro, 2021

PÁTRIA DA BELEZA IDEAL – EVANGELHO DA MANHÃ

GÊNESE NO LAR

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🙋⌚ 📽️ 🎙️ 📲 Hora 7:10 – 08 de Novembro 2021_Segunda-feira

😘Tópico: GÊNESE NO LAR n°457                                                                                                                                                                                                  

  📚 📜 – TEMA: PÁTRIA DA BELEZA IDEAL

Fonte:

DEPOIS DA MORTE – item XXXV

👉 Facilitador: Carlos Alberto Braga Costa

👁️                                                                 

👇🖥️📺📡 

35 – A VIDA SUPERIOR


A alma virtuosa, depois de haver vencido suas paixões, depois de
abandonar o corpo, miserável instrumento de dor e de glória, vai, através da
imensidade, juntar-se às suas irmãs do espaço.

Atraída por uma força irresistível, ela percorre regiões onde tudo é harmonia e esplendor; mas a
linguagem humana é muito pobre para descrever o que aí se passa.
Entretanto, que alívio, que deliciosa alegria então experimenta, sentindo
quebrada a pesada cadeia que a retinha à Terra, podendo abraçar a
imensidão, mergulhar no espaço sem limites, librar-se além dos mundos 1 Não
mais tem um corpo enfermo, sofredor e pesado como uma barra de chumbo;
não mais terá fardo material para arrastar penosamente. Desembaraçada de
suas cadeias, entra a irradiar e embriaga-se de espaço e de liberdade.

A fealdade terrena e a decrepitude deram lugar a um corpo fluídico de aparência
graciosa e de formas ideais, diáfano e brilhante. Ai encontra aqueles a quem
amou na Terra, que a precederam na nova vida e agora parecem esperá-la.
Então, comunica-se livremente com todos, suas expansões são repletas de
felicidade, embora ainda um pouco anuviadas por tristes reminiscências da
Terra e pela comparação da hora presente com um passado cheio de lágrimas.
Outros Espíritos que perdera de vista em sua última encarnação, mas que se
tinham tornado seus afeiçoados por provas suportadas em comum no decurso
das Idades, vêm também juntar-se aos primeiros. Todos os que
compartilharam seus bons ou maus dias, todos os que com ela se
engrandeceram, lutaram, choraram e sofreram correrão ao seu encontro, e sua
memória, despertando-se desde então, ocasionará explosões de felicidade e
venturas que a pena não sabe descrever.


Como resumir as impressões da vida radiante que se abre ao Espírito? A
veste grosseira, o manto pesado que lhe constrangia os sentidos íntimos,
despedaçando-se subitamente, tornam centuplicadas as suas percepções. O
horizonte se lhe alarga e não tem mais limites. O Infinito incomensurável,
luminoso, desdobra-se às suas vistas com suas ofuscantes maravilhas, com
seus milhões de sóis, focos multicores, safiras e esmeraldas, joias enormes,
derramadas no azul e seguidas de seus suntuosos cortejos de esferas. Esses
sóis, que aparecem aos homens como simples lampadários, o Espírito os
contempla em sua real e colossal grandeza; vê-os mais poderosos que o
luminar do nosso planeta; reconhece a força de atração que os prende, e
distingue ainda, em longínquas profundezas, os astros maravilhosos que
presidem às evoluções. Todos esses fachos gigantescos, ele os vê em
movimento, gravitando, prosseguindo seu curso vagabundo, entrecruzando-se,
como globos de fogo lançados no vácuo pela mão de um invisível jogador. Nós,
perturbados sem cessar por vãos rumores, pelo confuso sussurro da colmeia
humana, não podemos conceber a calma solene, o majestoso silêncio dos
espaços, que enche a alma de um sentimento augusto, de um assombro que
toca as raias do pavor.


Mas o Espírito puro e bom é inacessível ao temor. Esse infinito, frio e
silencioso para os Espíritos inferiores, anima-se logo para ele e o faz ouvir sua
voz poderosa. Livre da matéria, a alma percebe, aos poucos, as vibrações
melodiosas do éter, as delicadas harmonias que descem das regiões celestes
e compreende o ritmo imponente das esferas.

Esse cântico dos mundos, essas vozes do infinito que soam no silêncio ela
os saboreia até se sentir arrebatar. Recolhida, inebriada, cheia de um
sentimento grave e religioso, banha-se nas ondas do éter, contempla as profundezas
siderais, as legiões de Espíritos, sombras ligeiras que flutuam e se
agitam em esteiras de luz. Assiste a gênese dos mundos, vê a vida despertar-se
e crescer na sua superfície, segue o desenvolvimento das humanidades que
os povoam e, nesse grande espetáculo, verifica que em toda parte do Universo
a atividade, o movimento e a vida ligam-se à ordem.
Qualquer que seja seu adiantamento, o Espírito que acaba de deixar a
Terra não pode aspirar a viver indefinidamente dessa vida superior. Adstrito à
reencarnação, essa vida não lhe é senão um tempo de repouso: uma
compensação aos seus males, uma recompensa aos seus méritos. Apenas ai
vai retemperar-se e fortificar-se para as lutas futuras. Porém, nas vidas que o
esperam não terá mais as angústias e os cuidados da existência terrestre.
O Espírito elevado é destinado a renascer em planetas mais bem dotados
que o nosso. A escala grandiosa dos mundos tem inúmeros graus, dispostos
para a ascensão progressiva das almas, que os devem transpor cada um por
sua vez.
Nas esferas superiores à Terra o império da matéria é menor. Os males por
esta originados atenuam-se, à medida que o ser se eleva e acabam por
desaparecer. Lá, o ser humano não mais se arrasta penosamente sob a ação
de pesada atmosfera; desloca-se de um lugar para outro com muita facilidade.
As necessidades corpóreas são quase nulas e os trabalhos rudes,
desconhecidos. Mais longa que a nossa, a existência aí se passa no estudo, na
participação das obras de uma civilização aperfeiçoada, tendo por base a mais
pura moral, o respeito aos direitos de todos, a amizade e a fraternidade. As
guerras, as epidemias e os flagelos não têm acesso e os grosseiros interesses,
causa das nossas ambições, não mais dividem os povos.
Esses dados sobre as condições de habitabilidade dos mundos são
confirmados pela Ciência. Pela espectroscopia já se conseguiu analisar os
seus elementos constitutivos; já se pesou a sua massa, calculando seu poder
de atração. A Astronomia nos mostra as estações do ano, variando de duração
e Intensidade, segundo a inclinação dos globos sobre sua órbita, e ensina-nos
que Saturno tem a densidade do pau “bordo”, Júpiter quase a da água, e que
sobre Marte o peso dos corpos é menos de metade que na Terra. Ora, sendo a
organização dos seres vivos a resultante das forças em ação sobre cada
mundo, vemos que variedades de formas se originam desses fatos, que
diferenças devem produzir-se nas manifestações da vida sobre os campos
Inumeráveis do espaço.
Chegará afinal um dia em que o Espírito, depois de haver percorrido o ciclo
de suas existências terrestres, depois de se haver purificado através dos
mundos, por seus renascimentos e migrações, vê terminar a série de suas
encarnações e abrir-se a vida espiritual, definitivamente, a verdadeira vida da
alma, donde o mal, as trevas e o erro estão banidos para sempre. A calma, a
serenidade e a segurança profunda substituem os desgostos e as inquietações
de outrora. A alma chegou ao término de suas provações, não mais terá
sofrimento. Com que emoção rememora os fatos de sua vida, esparsos na
sucessão dos tempos, sua longa ascensão, a conquista de seus méritos e de
sua elevação! Que ensinamento nessa marcha grandiosa, no percurso da qual
se constitui e se afirma a unidade de sua natureza, de sua personalidade

imortal!
Compara os desassossegos de outras épocas, os cuidados e as dores do
passado, com as aventuras do presente, e saboreia-as a longos tragos. Que
inebriamento o de sentir-se viver no meio de Espíritos esclarecidos, pacientes e
atenciosos; unir-se-lhes pelos laços de inalterável afeto; participar das suas
aspirações, ocupações e gozos; ser-se compreendido, sustentado, amado por
todos, livre das necessidades e da morte, na fruição de uma mocidade sobre a
qual os séculos não fazem mossa! Depois, vai estudar, admirar, glorificar a
obra infinita, aprofundar ainda os mistérios divinos; vai reconhecer por toda
parte a beleza e a bondade celeste; identificar-se e saciar-se com elas;
acompanhar os Gênios superiores em seus trabalhos, em suas missões;
compreender que chegará um dia a igualá-los; que subirá ainda mais e que a
esperam, sempre e sempre, novas alegrias, novos trabalhos, novos progressos:
tal é a vida eterna, magnífica, a vida do espírito purificado pelo
sofrimento.
*
Os céus elevados são a pátria da beleza Ideal e perfeita em que todas as
artes bebem a inspiração. Os Espíritos eminentes possuem em grau superior o
sentimento do belo. Este é a fonte dos mais puros gozos, e todos sabem
realizá-lo em seus trabalhos, diante dos quais empalidecem as obras-primas da
Terra. Cada vez que uma nova manifestação do gênio se produz sobre o
mundo, cada vez que a arte se nos revela sob uma forma aperfeiçoada, pode
dizer-se que um Espírito descido das altas esferas tomou corpo na Terra para
iniciar os homens nos esplendores da beleza eterna. Para a alma superior, a
arte, sob seus múltiplos aspectos, é uma prece, uma homenagem prestada ao
Princípio de todas as coisas.
O Espírito, pelo poder de sua vontade, opera sobre os fluídos do espaço, os
combina, dispondo-os a seu gosto, dá-lhes as cores e as formas que convêm
ao seu fim. É por meio desses fluídos que se executam obras que desafiam
toda comparação e toda análise. Construções aéreas, de cores brilhantes, de
zimbórios resplendentes: sítios Imensos onde se reúnem em conselho os
delegados do Universo; templos de vastas proporções de onde se elevam
acordes de uma harmonia divina; quadros variados, luminosos: reproduções de
vidas humanas, vidas de fé e de sacrifício, apostolados dolorosos, dramas do
Infinito. Como descrever magnificências que os próprios Espíritos se declaram
impotentes para exprimir no vocabulário humano?
É nessas moradas fluídicas que se ostentam as pompas das festas
espirituais. Os Espíritos puros, ofuscantes de luz, agrupam-se em famílias. Seu
brilho e as cores variadas de seus invólucros permitem medir a sua elevação,
determinar-lhes os atributos. Suaves e encantadores concertos, comparados
aos quais os da Terra não são mais que ruídos discordantes; por cenários têm
eles o espaço infinito, o espetáculo maravilhoso dos mundos que rolam na
Imensidão, unindo suas notas às vozes celestes, ao hino universal que sobe a
Deus.
Todos esses Espíritos, associados em falanges inumeráveis, conhecem-se
e amam-se. Os laços de família, os afetos que os uniam na vida material,
quebrados pela morte, ai se reconstituem para sempre. Destacam-se dos
diversos pontos do espaço e dos mundos superiores para comunicarem

mutuamente os resultados de suas missões, de seus trabalhos, para se
felicitarem pelos êxitos obtidos e coadjuvarem-se uns aos outros nas empresas
difíceis. Nenhum pensamento oculto, nenhum sentimento de inveja tem
ingresso nessas almas delicadas. O amor, a confiança e a sinceridade
presidem a essas reuniões onde todos recolhem as instruções dos
mensageiros divinos, onde se aceitam as tarefas que contribuem para elevá-los
ainda mais. Uns seguem a observar o progresso e o desenvolvimento dos
globos; outros encarnam nos diversos mundos para cumprir missões de
devotamento, para instruir os homens na moral e na Ciência; outros ainda, os
Espíritos-guias ou protetores, ligam-se a alguma alma encarnada, a sustentam
no rude caminho da existência, conduzem-na do nascimento à morte, durante
muitas vidas sucessivas, vindo acolhê-la no termo de cada uma delas, quando
entra no mundo invisível. Em todos os graus da hierarquia espiritual, as almas
têm um papel a executar na obra imensa do progresso e concorrem para a
realização das leis superiores.
Quanto mais o Espírito se purifica, mais intensa, mais ardente nele se torna
a necessidade de amar, de atrair para a sua luz e para a sua felicidade, para a
morada em que não se conhece a dor, tudo o que sofre, tudo o que luta e se
agita nas baixas camadas da existência.
Quando um desses Espíritos adota um de seus irmãos atrasados e torna-se
seu protetor, seu guia, com que solicitude afetuosa lhe sustenta os passos,
com que alegria contempla os seus progressos e com quanta dor vê as quedas
que não pôde evitar! Assim como a criança descida do berço ensaia seus
primeiros passos sob os olhares enternecidos da sua carinhosa mãe, assim
também, sob a égide Invisível de seu pai espiritual, o Espírito é assistido nos
combates da vida terrestre.
Todos temos um desses Gênios tutelares que nos inspira nas horas difíceis
e dirige-nos pelo bom caminho. Daí a poética tradição cristã do anjo da guarda.
Não há concepção mais grata e consoladora. Saber que temos um amigo fiel e
sempre disposto a socorrer-nos, de perto como de longe, influenciando-nos a
grandes distâncias ou conservando-se junto de nós nas provações; saber que
ele nos aconselha por intuição e nos aquece com o seu amor, eis uma fonte
inapreciável de força moral. O pensamento de que testemunhas benévolas e
invisíveis vêem todos os nossos atos, regozijando-se ou entristecendo-se, deve
inspirar-nos mais sabedoria e circunspecção. É por essa proteção oculta que
se fortificam os laços de solidariedade que ligam o mundo celeste à Terra, o
Espírito livre ao homem, Espírito prisioneiro da carne, É por essa assistência
contínua que se criam, de um a outro lado, as simpatias profundas, as
amizades duradouras e desinteressadas. O amor que anima o Espírito elevado
vai pouco a pouco se estendendo a todos os seres sem cessar, revertendo
tudo para Deus, pai das almas, foco de todas as potências efetivas.
*
Falamos da hierarquia.
Há, com efeito, uma entre os Espíritos, mas a sua base única é a virtude e
as qualidades conquistadas pelo trabalho e pelo sofrimento. Sabemos que
todos os Espíritos são Iguais em princípio e destinados ao mesmo fim, diferindo
somente no grau de adiantamento. Os graus da hierarquia espiritual começam
no seio da vida animal e estendem-se até alturas inacessíveis às nossas

concepções atuais. É uma graduação inumerável de potências, de luzes, de
virtude, aumentando sempre da base ao vértice, caso haja ai vértice. É a
espiral gigantesca do progresso desenrolando-se até ao Infinito, e cujas três
grandes fases — vida material, vida espiritual e vida celeste —, reagindo
reciprocamente, formam um todo que constitui o campo de evolução dos seres,
a lendária escada de Jacob. Sobre essa escada imensa todos os seres são
ligados por laços invisíveis, cada um sustentado e atraído por outro mais
elevado. As almas superiores, que se manifestam aos homens, não parecem
dotadas de todas as perfeições e, entretanto, essas, pelas suas qualidades,
apenas atestam a, existência de seres que lhes estão colocados tão acima
quanto eles o estão de nós. Os graus se sucedem e se perdem em
profundezas cheias de mistério.
A veste fluidica denuncia a superioridade do Espírito; é como um invólucro
formado pelos méritos e qualidades adquiridas na sucessão de suas
existências. Opaca e sombria na alma inferior, seu alvor aumenta de acordo
com os progressos realizados. Torna-se a alma cada vez mais pura. Brilhante
no Espírito elevado, ofusca nas almas superiores. Todo Espírito é um foco de
luz, velado por longo tempo, comprimido, invisível, mas que se descobre com o
seu valor moral, cresce lentamente, aumentando em penetração e intensidade.
No começo, é como o fogo escondido sob cinzas, que se revela por fracas
claridades, e, depois, ainda por uma chama timida e vacilante. Um dia, tornarse-
á a auréola que se ativa, estende e rodeia, completamente, o Espírito que,
então, resplandece como um sol ou como esses astros errantes que percorrem
os abismos celestes, arrastando sua longa cauda de luz. Para obter esse
esplendor, é necessário o mérito, filho de trabalhos longos, de obras fecundas,
adquirido em um número de existências que se nos afigura a eternidade.
Subindo mais para as culminâncias que o pensamento não pode medir sem
vertigem, não se chegaria a entrever por uma intuição o que é Deus, alma do
Universo, prodigioso centro de luz? A visão direta de Deus, dizem, só pode ser
sustentada pelos grandes Espíritos. A luz divina exprime a glória, o poder, a
majestade do Eterno, e, por si própria, é a visão da verdade. Poucas almas,
porém, podem contemplá-la sem véu, precisando haver uma pureza absoluta
para se lhe suportar o deslumbramento esmagador.
A vida terrena suspende as propriedades Irradiantes do Espírito. Durante o
seu curso, a luz da alma se acha oculta sob a carne, como lâmpada acesa no
fundo de um sepulcro.
Entretanto, em nós mesmos podemos verificar a sua existência; as nossas
boas ações, os nossos rasgos de generosidade alimentam-na e avivam. Uma
multidão inteira pode sentir o calor comunicativo de uma alma entusiástica. Em
nossos momentos de expansão, de caridade e amor sentimos como que uma
chama ou um raio emanando do nosso ser. É por essa luz íntima que se distinguem
os oradores, os heróis, os apóstolos. É ela que inflama os auditórios,
arrasta os povos e os faz realizarem grandes cometimentos. As forças
espirituais revelam-se então aos olhos de todos e mostram o que se pode obter
das potências psíquicas, postas em ação pela paixão do bem e do justo. A
força da alma é superior a todas as forças materiais; é a própria luz: poderia
levantar um mundo.
Possamos nós alimentar-te com boas obras, avivar-te a chama,
transformar-te num grande facho que esclareça e aqueça tudo o que se
aproximar de ti, um fanal para guiar os Espíritos cépticos, errantes nas trevas, ó foco amoroso!
Tentamos dar uma Idéia do que é a vida celeste definitiva, conforme o
ensino dos Espíritos. Ela é o fim para o qual evolvem todas as almas, o meio
em que todos os sonhos e projetos realizam-Se, em que todas as aspirações
satisfazem-Se, o lugar onde as esperanças malogradas, as afeições
desprezadas, os impulsos comprimidos pela vida material encontram-se em
liberdade. Aí, as simpatias, as ternuras, as atrações puras unem-se e fundem-se
num amor imenso, que liga todos os Espíritos e os faz viverem em
comunhão perpétua, no seio da grande harmonia.
Para atingir, porém, a tais alturas, quase divinas, épreciso deixar sobre as
vertentes que a elas conduzem os apetites, as paixões, os desejos; é
necessário ser-se dilacerado pelos espinhos da matéria e purificado pela dor. É
preciso adquirir a doçura, a resignação e a fé, aprender a sofrer sem murmurar,
a chorar em silêncio, a desprezar os bens e as alegrias efêmeras do mundo e
elevar suas aspirações aos bens que jamais findam. Éindispensável deixar nas
sepulturas terrestres muitos despojos deformados pelas privações, ter passado
muitos trabalhos, suportado sem queixume humilhações e desprezos, sentir os
golpes do mal, o peso do insulamento e da tristeza, ter esgotado, muitas vezes,
o cálice profundo e amargo. Só o sofrimento, desenvolvendo as forças viris da
alma, robustece-a para a luta e para a sua ascensão, amadurece e apura os
sentimentos, abre as portas da bem-aventurança.
Espírito imortal, encarnado ou livre!… Se queres transpor com rapidez a
escala árdua e magnífica dos mundos, alcançar as regiões etéreas, atira para
longe tudo o que torna arrastados os teus passos e pode obstar-te o vôo. Deixa
à Terra o que à Terra pertence, e só aspira aos tesouros eternos; trabalha, ora
a Deus, consola, auxilia, ama, oh! ama até ao sacrifício, cumpre o teu dever a
qualquer preço, mesmo que percas a vida… Só assim semearás o germe da
tua felicidade futura.

DEPOIS DA MORTE – item XXXV – LEON DENIS


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