Publicado por: . | 22 novembro, 2021

OBSESSÃO

27 – Obsessão


Observando-se a mediunidade como sintonia, a obsessão é o
equilíbrio de forças inferiores, retratando-se entre si.
Fenômeno de reflexão pura e simples, não ocorre tão-somente
dos chamados mortos para os chamados vivos, porque, na essência,
muita vez aparece entre os próprios Espíritos encarnados a se
subjugarem reciprocamente pelos fios invisíveis da sugestão.


A mente que se dirige a outra cria imagens para fazer-se notada
e compreendida, prescindindo da palavra e da ação para
insinuar-se, porquanto, ambientando a repetição, atinge o objetivo
que demanda, projetando-se sobre aquela que procura influenciar.
E, se a mente visada sintoniza com a onda criadora lançada sobre
ela, inicia-se vivo circuito de força, dentro do qual a palavra e a
ação se incumbem de consolidar a correspondência, formando o
círculo de encantamento em que o obsessor e o obsidiado passam
a viver, agindo e reagindo um sobre o outro.
Não há, por isto, obsessão unilateral. Toda ocorrência desta
espécie se nutre à base de intercâmbio mais ou menos completo.
Quanto mais sustentadas as imagens inferiores de um Espírito
para outro, em regime de permuta constante, mais profundo o
poder da obsessão, de vez que se afastam da justa realidade para o
circuito de sombra em que entregam a mútuo fascínio.
É o mesmo que se verifica com a pedra quando em serviço de
gravação. Quanto mais repetida a passagem do buril, mais entranhado
o sulco destinado a perpetuar a minudência da imagem.
Lembremo-nos, ainda, do disco comum, em cujas reentrâncias
sutis permanecem os sons fixados para repetição à nossa
vontade.

Muita vez a mente obsidiada se assemelha à chapa de
ebonite, arquivando ordens e avisos do obsessor (notadamente
durante o sono habitual, quando liberamos os próprios reflexos,
sem o controle da nossa consciência de limiar), ordens e avisos
que a pessoa obsessa atende, de modo quase automático, qual o
instrumento passivo da experiência magnética, no cumprimento
de sugestões pós-hipnóticas.
Quanto mais nos rendamos a essa ou àquela ideia, no imo de
nós mesmos, com maior força nos convertemos nela, a expressar-lhe
os desígnios.
É assim que se formam estranhos desequilíbrios que, em muitas
circunstâncias, concretizam moléstia e desalento, aflição e
loucura, quando não plasmam a crueldade e a morte.
Toda obsessão começa pelo debuxo vago do pensamento alheio
que nos visita, oculto.
Hoje é um pingo de sombra, amanhã linha firme, para, depois,
fazer-se um painel vigoroso, do qual assimilamos apelos
infelizes que nos aprisionam em turbilhões de trevas.
Urge, pois, que saibamos fugir, desassombrados, aos enganos
da inércia, porque o espelho ocioso de nossa vida em sombra pode
ser longamente viciado e detido pelas forças do mal que, em nos
vampirizando, estendem sobre os outros as teias infernais da
miséria e do crime.
Dar novo pasto à mente pelo estudo que eleve e consagrar-se
em paz ao serviço incessante é a fórmula ideal para libertar-se de
todas as algemas, pois que, na aquisição de bênçãos para o espírito
e no auxílio espontâneo à vida que nos cerca, refletiremos
sempre a Esfera Superior, avançando, por fim, da cegueira mental
para a divina luz da Divina Visão.

Pensamento e Vida – Lição 27 – Francisco Cândido Xavier – Espírito Emmanuel


Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Categorias

%d blogueiros gostam disto: