Publicado por: . | 30 novembro, 2021

VELHOS E MOÇOS – EVANGELHO DA MANHÃ

GÊNESE NO LAR

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TV GÊNESE

🙋⌚ 📽️ 🎙️ 📲 Hora 7:10 – 01 de Dezembro 2021_Quarta-feira

😘Tópico: GÊNESE NO LAR Nº472                                                                                             

  📚 📜 – TEMA: VELHOS E MOÇOS                                                  

FONTE: 

 Boa Nova –  Emmanuel – Humberto de Campos –  F C Xavier

👉 Facilitador: Carlos Alberto Braga Costa

👁️                                                                 

👇🖥️📺📡 

9 – VELHOS E MOÇOS


Não era raro observar-se, na pequena comunidade dos discípulos, o
entrechoque das opiniões, dentro do idealismo quente dos mais jovens.
Muita vez, o séquito humilde dividia-se em discussões, relativamente aos
projetos do futuro.
Enquanto Pedro e André se punham a ouvir os companheiros, com a
ingenuidade de seus corações simples e sinceros, João comentava os
planos de luta no porvir; Tiago, seu irmão, falava do bom aproveitamento
de sua juventude, ao passo que o jovem Tadeu fazia promessas
maravilhosas.


— Somos jovens! — diziam. — Iremos à Terra inteira, pregaremos o
Evangelho às nações, renovaremos o mundo!…
Tão logo o Mestre permitisse, sairiam da Galileia, pregariam as
verdades do reino de Deus naquela Jerusalém atulhada de preconceitos e
de falsos intérpretes do pensamento divino. Sentiam-se fortes e bem
dispostos. Respiravam a longos haustos e supunham-se os únicos
discípulos habilitados a traduzir com fidelidade os novos ensinamentos.
Por longas horas, questionavam acerca de suas possibilidades
apresentavam as suas vantagens, debatiam seus projetos imensos. E
pensavam consigo: que poderia realizar Simão Pedro, chefe de família e
encarcerado nos seus pequeninos deveres? Mateus não estava igualmente
enlaçado por inadiáveis obrigações de cada dia? André e o irmão os
escutavam despreocupados, para meditarem apenas quanto às lições do
Messias. Entretanto, Simão, mais tarde chamado o “Zelote”, antigo
pescador do lago, acompanhava semelhantes conversações, humilhado.
Algo mais velho que os companheiros, suas energias, a seu ver, já não se
coadunavam com os serviços do Evangelho do Reino. Ouvindo as
palavras fortes da juventude dos filhos de Zebedeu, perguntava a si
mesmo o que seria de seu esforço singelo, junto de Jesus. Começava a
sentir mais fortemente o declínio das forças vitais. Suas energias pareciam
descer de uma grande montanha, embora o espírito se lhe conservasse
firme e vigilante, no ritmo da vida.

Deixando-se, porém, impressionar vivamente, procurou entender-se
com o Mestre, buscando eximir-se das dúvidas que lhe roíam o coração.
*
Depois de expor os seus receios e vacilações, observou que Jesus o
fitava sem surpresa, como se tivesse pleno conhecimento de suas
emoções.
— Simão — disse o Mestre com desvelado carinho —, poderíamos
acaso perguntar a idade de Nosso Pai? E se fôssemos contar o tempo, na
ampulheta das inquietações humanas, quem seria o mais velho de todos
nós? A vida, na sua expressão terrestre, é como uma árvore grandiosa. A
infância é a sua ramagem verdejante. A mocidade se constitui de suas
flores perfumadas e formosas. A velhice é o fruto da experiência e da
sabedoria. Há ramagens que morrem depois do primeiro beijo do Sol, e
flores que caem ao primeiro sopro da Primavera. O fruto, porém, é sempre
uma bênção do Todo-Poderoso. A ramagem é uma esperança; a flor uma
promessa; o fruto é realização. Só ele contém o doce mistério da vida,
cuja fonte se perde no infinito da divindade!…
Ao passo que o discípulo lhe meditava os conceitos, com sincera
admiração, Jesus prosseguia, esclarecendo:
— Esta imagem pode ser também a da vida do espírito, na sua radiosa
eternidade, apenas com a diferença de que aí as ramagens e as flores não
morrem nunca, marchando sempre para o fruto da edificação. Em face da
grandeza espiritual da vida, a existência humana é uma hora de
aprendizado, no caminho infinito do Tempo; essa hora minúscula encerra
o que existe no todo. É por isso que aí vemos, por vezes, jovens que falam
com uma experiência milenária e velhos sem reflexão e sem esperança.
— Então, Senhor, de qualquer modo, a velhice é a meta do espírito? —
perguntou o discípulo, emocionado.
— Não a velhice enferma e amargurada que se conhece na Terra, mas a
da experiência que edifica o amor e a sabedoria. Ainda aqui, devemos
recordar o símbolo da árvore, para reconhecer que o fruto perfeito é a
frescura da ramagem e a beleza da flor, encerrando o conteúdo divino do
mel e da semente.

Percebendo que o Mestre estendera seus conceitos em amplas imagens
simbológicas, o apóstolo voltou a retrair-se em seu caso particular e
obtemperou:
— A verdade, Senhor, é que me sinto depauperado e envelhecido,
temendo não resistir aos esforços a que se obriga a minhalma, na
semeadura da vossa doutrina santa.
— Mas, escuta, Simão — redarguiu-lhe Jesus, com serenidade enérgica
—, achas que os moços de amanhã poderão fazer alguma coisa sem os
trabalhos dos que agora estão envelhecendo?!… Poderia a árvore viver
sem a raiz, a alma sem Deus?! Lembra-te da tua parte de esforço e não te
preocupes com a obra que pertence ao Todo-Poderoso. Sobretudo, não
olvides que a nossa tarefa, para dignidade perfeita de nossas almas, deve
ser intransferível. João também será velho e os cabelos brancos de sua
fronte contarão profundas experiências. Não te magoe a palestra dos
jovens da Terra. A flor, no mundo, pode ser o princípio do fruto, mas
pode também enfeitar o cortejo das ilusões. Quando te cerque o
burburinho da mocidade, ama os jovens que revelem trabalho e reflexão;
entretanto, não deixes de sorrir, igualmente, para os levianos e
inconstantes: são crianças que pedem cuidado, abelhas que ainda não
sabem fazer o mel. Perdoa-lhes os entusiasmos sem rumo, como se devem
esquecer os impulsos de um menino na inconsciência dos seus primeiros
dias de vida. Esclarece-os, Simão, e não penses que outro homem pudesse
efetuar, no conjunto da obra divina, o esforço que te compete. Vai e tem
bom ânimo!… Um velho sem esperança em Deus é um irmão triste da
noite; mas eu venho trazer ao mundo as claridades de um dia perene.
Dando Jesus por terminado o seu esclarecimento, Simão, o Zelote, se
retirou satisfeito, como se houvesse recebido no coração uma energia
nova.
*
Voltando à casa pobre, encontrou Tiago, filho de Cleofas, falando à
margem do lago com alguns jovens, apelando ardentemente para as suas
forças realizadoras. Avistando o velho companheiro, o apóstolo mais
moço não o ofendeu, porém fez uma pequena alusão à sua idade, para

destacar as palavras de sua exortação aos companheiros pescadores.
Simão, no entanto, sem experimentar qualquer laivo de ciúme, recordou
as elucidações do mestre e, logo que se fez silêncio, ao reconhecer que
Tiago estava só, falou-lhe com brandura:
— Tiago, meu irmão, será que o espírito tem idade? Se Deus contasse o
tempo como nós, não seria ele o mais velho de toda a criação? E que
homem do mundo guardará a presunção de se igualar ao Todo-Poderoso?
Um rapaz não conseguiria realizar a sua tarefa na Terra, senão tivesse a
precedê-lo as experiências de seus pais. Não nos detenhamos na idade,
esqueçamos as circunstâncias, para lembrar somente os fins sagrados de
nossa vida, que deve ser a edificação do Reino no íntimo das almas.
O filho de Alfeu escutou lhe as observações singelas e reconheceu que
eram ditas com uma fraternidade tão pura, que não lhe chegavam a ferir,
nem de leve, o coração. Admirando a ternura serena do companheiro e
sem esquecer o padrão de humildade que o Mestre cultivava, refletiu um
momento e exclamou, comovido:
— Tens razão!
O velho apóstolo não esperou qualquer justificativa de sua parte e,
dando-lhe um abraço, mostrou-lhe um sorriso bom, deixando perceber
que ambos deviam esquecer, para sempre, aquele minuto de divergência,
a fim de se unirem cada vez mais em Jesus-Cristo.
Naquela mesma tarde, quando o Messias começou a ensinar a sabedoria
do Reino de Deus, Simão, o Zelote, notou que havia na praia duas
criancinhas inconscientes. Dominada pela nova luz que fluía dos
ensinamentos do Mestre, a mãe delas não vira que se distanciavam, ao
longo do primeiro lençol raso das águas; o velho pescador, atento à
pregação e às demais necessidades da hora em curso, observou os dois
pequeninos e acompanhou-os. Com uma boa palavra, tomou-os nos
braços, sentando-se numa pedra e, terminada que foi a reunião, os
restituiu ao colo maternal, em meio de suave alegria e sincero
reconhecimento. Inspirado por uma força estranha à sua’ alma, o
discípulo compreendeu que o júbilo daquela tarde não teria sido completo
se duas crianças houvessem desaparecido no seio imenso das águas,
separando-se para sempre dos braços amoráveis de sua mãe. No âmago do
seu espírito, havia um júbilo sincero. Compreendera com o Cristo o prazer

de servir, a alegria de ser útil.
Nessa noite, Simão, o Zelote, teve um sonho glorioso para a sua alma
simples. Adormecendo de consciência feliz, sonhou que se encontrava
com o Messias, no cume de um monte que se elevava em estranhas
fulgurações. Jesus o abraçou com carinho e lhe agradeceu o fraterno
esclarecimento fornecido a Tiago, em sua lembrança, manifestando-lhe
reconhecimento pelo seu terno cuidado com duas crianças desconhecidas,
por amor de seu nome.
O discípulo sentia-se venturoso naquele momento sublime. Jesus, do
alto da colina prodigiosa, mostrava-lhe o mundo inteiro. Eram cidades e
campos, mares e montanhas… Em seguida, o antigo pescador
compreendeu que seus olhos assombrados divisavam as paisagens do
futuro. Ao lado de seu deslumbramento, passava a imensa família
humana. Todas as criaturas fitavam o Mestre, com os olhos agradecidos e
refulgentes de amor. As crianças lhe chamavam “amigo fiel”; os jovens,
“verdade do céu”; os velhos, “sagrada esperança”.
Simão acordou, experimentando indefinível alegria. Na manhã
imediata, antes do trabalho, procurou o Senhor e beijou-lhe a fímbria
humilde da túnica, exclamando jubilosamente:
— Mestre, agora vos compreendo!…
Jesus contemplou-o com amor e respondeu:
— Em verdade, Simão, ser moço ou velho, no mundo, não interessa!…
Antes de tudo, é preciso ser de Deus!…

Boa Nova –  Velhos  e Moços – lição 09 – Emmanuel – Humberto de Campos –  F C Xavier


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