Publicado por: . | 22 dezembro, 2021

FORMOSO PEREGRINO – EVANGELHO DA MANHÃ

– GÊNESE NO LAR

Fraternidade de Estudos Allan Kardec está convidando você para acessar

TV GÊNESE

🙋⌚ 📽️ 🎙️ 📲 Hora 7:10 – 23 de Dezembro 2021_Quinta-feira

😘Tópico: GÊNESE NO LAR Nº487

  📚 📜 – TEMA: FORMOSO PEREGRINO

FONTE: 

Boa Nova- 3 –   Humberto de Campos  – Francisco C Xavier

👉 Facilitador: Carlos Alberto Braga Costa

👁️                                                                 

👇🖥️📺📡 

3 – PRIMEIRAS PREGAÇÕES

CU040914-013hr


Nos primeiros dias do ano 30, antes de suas gloriosas manifestações,
avistou-se Jesus com o Batista, no deserto triste da Judéia, não muito
longe das areias ardentes da Arábia. Ambos estiveram juntos, por alguns
dias, em plena Natureza, no campo ríspido do jejum e da penitência do
grande precursor, até que o Mestre Divino, despedindo- se do
companheiro, demandou o oásis de Jericó, uma bênção de verdura e águas
entre as inclemências da estrada agreste. De Jericó dirigiu-se então a
Jerusalém, onde repousou, ao cair da noite.


Sentado como um peregrino, nas adjacências do Templo, Jesus foi
notado por um grupo de sacerdotes e pensadores ociosos, que se sentiram
atraídos pelos seus traços de formosa originalidade e pelo seu olhar lúcido
e profundo. Alguns deles se afastaram, sem maior interesse, mas Hanã,
que seria, mais tarde, o juiz inclemente de sua causa, aproximou-se do
desconhecido e dirigiu-se-lhe com orgulho:
— Galileu, que fazes na cidade?
— Passo por Jerusalém, buscando a fundação do Reino de Deus! —
exclamou o Cristo, com modesta nobreza.
— Reino de Deus? — tornou o sacerdote com acentuada ironia. — E
que pensas tu venha a ser isso?
— Esse Reino é a obra divina no coração dos homens! — esclareceu
Jesus, com grande serenidade.
— Obra divina em tuas mãos? — revidou Hanã, com uma gargalhada
de desprezo.
E, continuando as suas observações irônicas, perguntou:
— Com que contas para levar avante essa difícil empresa? Quais são os
teus seguidores e companheiros?…
Acaso terás Conquistado o apoio de algum príncipe desconhecido e
ilustre, para auxiliar-te na execução de teus planos?
— Meus companheiros hão de chegar de todos os lugares respondeu o
Mestre com humildade.
— Sim — observou Hanã —, os ignorantes e os tolos estão em toda

parte na Terra. Certamente que esse representará o material de tua
edificação. Entretanto, propões-te realizar uma obra divina e já viste
alguma estátua perfeita modelada em fragmentos de lama?
— Sacerdote replicou-lhe Jesus, com energia serena —, nenhum
mármore existe mais puro e mais formoso do que o do sentimento, e
nenhum cinzel é superior ao da boa-vontade.
Impressionado com a resposta firme e inteligente, o famoso juiz ainda
interrogou:
— Conheces Roma ou Atenas?
— Conheço o amor e a verdade — disse Jesus convictamente.
— Tens ciência dos códigos da Corte Provincial e das leis do Templo?
— inquiriu Hanã, inquieto.
Sei qual é a vontade de meu Pai que está nos céus respondeu o Mestre,
brandamente.
O sacerdote o contemplou irritado e, dirigindo-lhe um sorriso de
profundo desprezo, demandou a Torre Antônia, em atitude de orgulhosa
superioridade.
No dia seguinte, pela manhã, o mesmo formoso peregrino foi ainda
visto a contemplar as maravilhas do santuário, antes alguns minutos de
internar-se pelas estradas banhadas de sol, a caminho de sua Galiléia
distante.
*
Daí a algum tempo, depois de haver passado por Nazaré, descansando
igualmente em Caná, Jesus se encontrava nas circunvizinhanças da
cidadezinha de Cafarnaum, como se procurasse, com viva atenção, algum
amigo que estivesse à sua espera.
Em breves instantes, ganhou as margens do Tiberíades e se dirigiu,
resolutamente, a um grupo alegre de pescadores, como se, de antemão, os
conhecesse a todos.
A manhã era bela, no seu manto diáfano de radiosas neblinas. As águas
transparentes vinham beijar os eloendros da praia, como se brincassem ao
sopro das virações perfumadas da Natureza. Os pescadores entoavam uma
cantiga rude e, dispondo inteligentemente as barcaças móveis, deitavam

as redes, em meio de profunda alegria.
Jesus aproximou-se do grupo e, assim que dois deles desembarcaram
em terra, falou-lhes com amizade:
— Simão e André, filhos de Jonas, venho da parte de Deus e vos
convido a trabalhar pela instituição de seu reino na Terra!
André lembrou-se de já o ter visto, nas cercanias de Betsaida, e do que
lhe haviam dito a seu respeito, enquanto que Simão, embora
agradavelmente surpreendido, o contemplava, enleado. Mas, quase a um
só tempo, dando expansão aos seus temperamentos acolhedores e
sinceros, exclamaram respeitosamente:
— Sede bem-vindo!…
Jesus então lhes falou docemente do Evangelho, com o olhar incendido
de júbilos divinos.
Estando muitos outros companheiros do lago a observar de longe os
três, André, manifestando a sua tocante ingenuidade, exclamou comovido:
— Um rei? Mas em Cafarnaum existem tão poucas casas!..
Ao que Pedro obtemperou, como se a boa-vontade devesse suprir todas
as deficiências:
— O lago é muito grande e há várias aldeias circundando estas águas, O
reino poderá abrangê-las todas!
Isso dizendo, fixou em Jesus o olhar perquiridor, como se fora uma
grande criança meiga e sincera, desejosa de demonstrar compreensão e
bondade, O Senhor esboçou um sorriso sereno e, como se adiasse com
prazer as suas explicações para mais tarde, inquiriu generosamente:
— Quereis ser meus discípulos?
André e Simão se interrogaram a si mesmos, permutando sentimentos
de admiração embevecida. Refletia Pedro: que homem seria aquele? onde
já lhe escutara o timbre carinhoso da voz íntima e familiar? Ambos os
pescadores se esforçavam por dilatar o domínio de suas lembranças, de
modo a encontrá-lo nas recordações mais queridas, Não sabiam, porém,
como explicar aquela fonte de confiança e de amor que lhes brotava no
âmago do espírito e, sem hesitarem, sem uma sombra de dúvida,
responderam simultaneamente:
— Senhor, seguiremos os teus passos.
Jesus os abraçou com imensa ternura e, como os demais companheiros

se mostrassem admirados e trocassem entre si ditérios ridicularizadores, o
Mestre, acompanhado de ambos e de grande grupo de curiosos, se
encaminhou para o centro de Cafarnaum, onde se erguia a Intendência de
Ântipas. Entrou calmamente na coletoria e, avistando um funcionário
culto, conhecido publicano da cidade, perguntou-lhe:
— Que fazes tu, Levi?
O interpelado fixou-o com surpresa; mas, seduzido pelo suave
magnetismo de seu olhar, respondeu sem demora:
— Recolho os impostos do povo, devidos a Herodes.
— Queres vir comigo para recolher os bens do céu? — perguntou-lhe
Jesus, com firmeza e doçura.
Levi, que seria mais tarde o apóstolo Mateus, sem que pudesse definir
as santas emoções que lhe dominaram a alma, atendeu, comovido:
— Senhor, estou pronto!..
— Então, vamos — disse Jesus, abraçando-o.
Em seguida, o numeroso grupo se dirigiu para a casa de Simão Pedro,
que oferecera ao Messias acolhida sincera em sua residência humilde,
onde o Cristo fez a primeira exposição de sua consoladora doutrina,
esclarecendo que a adesão desejada era a do coração sincero e puro, para
sempre, às claridades do seu reino. Iniciou-se naquele instante a eterna
união dos inseparáveis companheiros.
*
Na tarde desse mesmo dia, o Mestre fez a primeira pregação da Boa
Nova na praça ampla, cercada de verdura e situada naturalmente junto às
águas.
No céu, vibravam harmonias vespertinas, como se a tarde possuísse
também uma alma sensível. As árvores vizinhas acenavam os ramos
verdes ao vento do crepúsculo, como mãos da Natureza que convidassem
os homens à celebração daquele primeiro ágape. As aves ariscas
pousavam de leve nas alcaparreiras mais próximas, como se também
desejassem senti-lo, e na praia extensa se acotovelava a grande multidão
de pescadores rústicos, de mulheres aflitas por continuadas flagelações, de
crianças sujas e abandonadas, misturados publicanos pecadores com

homens analfabetos e simples, que haviam acorrido, ansiosos por ouvi-lo.
Jesus contemplou a multidão e enviou-lhe um sorriso de satisfação.
Contrariamente às ironias de Hanã, ele aproveitaria o sentimento como
mármore precioso e a boa-vontade como cinzel divino. Os ignorantes do
mundo, os fracos, os sofredores, os desalentados, os doentes e os
pecadores seriam em suas mãos o material de base para a sua construção
eterna e sublime. Converteria toda miséria e toda dor num cântico de
alegria e, tomado pelas inspirações sagradas de Deus, começou a falar da
maravilhosa beleza do seu reino. Magnetizado pelo seu amor, o povo o
escutava num grande transporte de ventura. No céu havia uma vibração de
claridade desconhecida.
Ao longe, no firmamento de Cafarnaum, o horizonte se tornara um
deslumbramento de luz e, bem no alto, na cúpula dourada e silenciosa, as
nuvens delicadas e alvas tomavam a forma suave das flores e dos arcanjos
do Paraíso.

Boa Nova- 3 –   Humberto de Campos  – Francisco C Xavier


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